Justiça suspende direitos políticos de ex-prefeito de Gravatá
Justiça condena ex-prefeito de Gravatá, suspende seus direitos políticos por cinco anos e determina devolução de R$ 597 mil aos cofres públicos
Foto: Reprodução O ex-prefeito de Gravatá, Joaquim Neto (PSDB), foi condenado pela Justiça a ressarcir os cofres públicos em R$ 597.541,55 e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos. A decisão também determina a proibição de contratar com o Poder Público pelo período de três anos. Ainda cabe recurso.
A sentença foi assinada pelo juiz Augusto Cézar de Sousa Arruda, da 2ª Vara Cível da Comarca de Gravatá, no Agreste de Pernambuco, no último sábado (30).
De acordo com a decisão, Joaquim Neto autorizou despesas sem a realização do devido processo licitatório quando estava à frente da Prefeitura de Gravatá.
MPPE conseguiu retomada do processo
O caso chegou a ser considerado prescrito em uma decisão anterior. No entanto, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recorreu e obteve o retorno dos autos para análise do mérito da ação.
Segundo o MPPE, o ex-prefeito autorizou despesas de grande valor sem licitação.
Nos autos, o órgão sustenta que o gestor "agiu com dolo, pois tinha plena ciência da ilicitude de seus atos e da obrigatoriedade do procedimento concorrencial".
Ainda conforme o Ministério Público, o dano identificado não teria sido resultado de um episódio isolado, mas de um padrão de irregularidades nas contratações.
O que diz a decisão
Ao fundamentar a sentença, o juiz destacou que o então prefeito tinha a responsabilidade de garantir a legalidade dos gastos públicos.
"A autorização reiterada de pagamentos sem o correspondente processo licitatório, em valores expressivos, revela, no mínimo, uma grave omissão dolosa", escreve.
Além da obrigação de devolver R$ 597.541,55 aos cofres públicos, a decisão estabelece a suspensão dos direitos políticos por cinco anos e a proibição de contratar com o Poder Público por três anos.
Defesa nega irregularidades
Joaquim Neto contestou as acusações e afirmou que pretende recorrer da decisão.
"É mentira", disse o ex-prefeito ao Diario de Pernambuco sobre as acusações.
"Se eu tivesse processo com graves irregularidades, o Tribunal de Contas teria aprovado minhas contas?", questiona.
"Eu nunca tive uma condenação e nem um tribunal pedindo para eu devolver recurso nos meus três mandatos", acrescenta o ex-gestor.
Ele também confirmou que a defesa irá apresentar recurso.
"Com certeza o tribunal [TJPE] lá na frente vai reconhecer", completa.
Joaquim Neto administrou Gravatá em três mandatos. A última gestão ocorreu entre 2017 e 2020. Em 2024, voltou a disputar a prefeitura, mas terminou a eleição na segunda colocação.



COMENTÁRIOS