Chapa de Raquel Lyra ao governo de PE começa a ganhar forma
Federação entre União Brasil e PP muda cenário político em Pernambuco e influencia formação da chapa para o Senado em 2026
Foto: Divulgação A homologação da federação entre União Brasil e PP pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma nova fase na articulação política em Pernambuco.
O movimento já impacta a construção da base da governadora Raquel Lyra e começa a desenhar possíveis composições para a disputa de 2026, incluindo o Senado.
Federação amplia articulação política em Pernambuco
A criação da federação, que une União Brasil e PP pelos próximos quatro anos, foi apontada como um passo relevante para reorganizar forças políticas no estado. O bloco passa a atuar de forma conjunta e ganha peso nas negociações eleitorais.
O ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, afirmou que vai trabalhar para garantir a unidade do grupo em Pernambuco. Segundo ele, a prioridade é alinhar internamente as decisões e fortalecer a integração com o governo estadual.
“Acho que hoje foi um momento esperado desde agosto. A gente aguardava essa homologação pela Justiça Eleitoral. E não é um fato qualquer. A federação é a maior força política partidária do Brasil. Quando você tem uma capilaridade tão grande, também tem divergência de ideias, o que é natural da democracia”, afirmou.
Construção conjunta e comando compartilhado
Em Pernambuco, o acordo prevê divisão de comando entre os partidos. O PP assume a presidência da federação no estado, enquanto o União Brasil ocupa a vice.
Miguel destacou que as decisões serão tomadas de forma conjunta, especialmente nas definições eleitorais.
“Aqui no estado, a gente entende que tudo tem que ser feito buscando convergência. Não tem decisão unilateral. Todas as decisões, principalmente do que envolve eleição — seja proporcional ou majoritária — precisam ser construídas de forma conjunta, com apoio dos dois partidos”, disse.
Senado entra no radar da nova composição
A formação da chapa para o Senado em 2026 já aparece como um dos principais pontos de negociação dentro da federação. Miguel Coelho afirmou que o União Brasil pretende disputar uma das vagas, mas ressaltou que qualquer candidatura dependerá de construção política.
“Ninguém é candidato por imposição, é por construção. O projeto do União Brasil sempre foi, além de ampliar suas bancadas, disputar uma vaga ao Senado. Mas é uma disputa, não é garantia de vitória. Tem eleição, tem risco, faz parte do processo democrático”, declarou.
Ele também não descartou a possibilidade de dividir a chapa com o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente da federação em Pernambuco, caso haja alinhamento político.
“Se Dudu puder convergir para isso aqui, para a decisão da governadora, ótimo. A gente tem quadros, tem time qualificado para ocupar essa vaga. Mas, se não houver essa composição, vamos buscar alguém que possa somar e complementar ainda mais”, afirmou.
Relação com o PP teve desgaste recente
Nos bastidores, a relação entre o governo estadual e Eduardo da Fonte passou por um momento de tensão recente. O episódio envolveu a saída de indicados do PP de cargos estratégicos na gestão.
A movimentação ocorreu em meio a conversas de Da Fonte com o prefeito do Recife, João Campos, adversário político de Raquel Lyra e pré-candidato ao governo em 2026.
Apesar disso, a governadora afirmou recentemente que o diálogo com o PP permanece aberto. Interlocutores avaliam que a relação com prefeitos e parlamentares da legenda segue estável, com o impasse concentrado na condução política de Da Fonte.
União Brasil amplia espaço no governo
Com a reconfiguração política, o União Brasil foi chamado para indicar nomes para a gestão estadual. A mudança ocorre após a saída de quadros ligados ao PP.
Segundo Miguel, a orientação é indicar perfis que contribuam com o desempenho da administração.
“A governadora nos pediu quadros que possam compor, mas não só compor — somar com o time do governo. Pessoas que possam ajudar a acelerar a geração de emprego, o desenvolvimento econômico e reduzir desigualdades”, afirmou.
Como primeiro movimento, a governadora anunciou que indicará um novo titular para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, escolhido pelo União Brasil.



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