Presidente da Alepe fala em “golpe” após tentativa de votação da LOA
Presidente da Alepe fala em “golpe” após tentativa de votação da LOA 2026; sessão foi suspensa e atos anulados após reação da oposição
Foto: Divulgação A tentativa de acelerar a votação do projeto que altera a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 provocou um impasse na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta quinta-feira (25).
A iniciativa da base governista acabou interrompida após reação da oposição, que suspendeu a deliberação e anulou os atos realizados em plenário.
Tentativa de votação gerou reação da oposição
A sessão foi iniciada sob a presidência do segundo vice-presidente da Casa, Aglailson Victor (PSD). Durante a reunião, ele revogou a Ordem do Dia previamente publicada e colocou em votação, diretamente no plenário, o parecer final do Projeto de Lei nº 3694/2026.
A proposta autoriza o Executivo estadual a remanejar até 20% do orçamento por meio de créditos suplementares.
Para que o texto fosse apreciado no plenário, era necessária a aprovação na Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação (CFOT). O parecer do relator foi favorável, e a matéria acabou aprovada pelos integrantes da comissão.
Sessão é suspensa e atos são anulados
A movimentação foi interrompida com a chegada de deputados da oposição. O primeiro vice-presidente da Alepe, Rodrigo Farias (PSB), assumiu a condução da sessão e determinou a suspensão da votação.
Ele alegou irregularidades no procedimento, com base em artigos do Regimento Interno. Após tentativa de recurso por parte do presidente da CFOT, Antônio Coelho (União Brasil), a decisão foi mantida, e todos os atos realizados foram anulados.
A base governista acusou Rodrigo Farias de agressão a Aglailson Victor durante a disputa pela condução da sessão, afirmando que houve retirada do microfone.
Presidente da Alepe critica ação
O presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), classificou a movimentação como uma tentativa de golpe parlamentar.
"Felizmente conseguimos impedir a tempo esse brutal desrespeito ao regimento da Casa. Nenhuma manobra em troca de cargos na máquina estadual e indicações para chapa vai prosperar enquanto eu presidir a Alepe”, disse Álvaro.
Base governista defende legalidade da sessão
Mesmo com o impasse, o presidente da CFOT, Antônio Coelho, afirmou que a tramitação seguiu as normas do Regimento Interno.
Segundo ele, a questão de ordem apresentada solicitou a aplicação de um dispositivo da Constituição Estadual que permite a inclusão de projetos na Ordem do Dia após determinado prazo.
O artigo citado estabelece que, após 45 dias do recebimento de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa, o presidente pode incluí-lo para votação, a requerimento de qualquer deputado, independentemente de parecer.
Alepe afirma que votação feriu regimento
Em nota oficial, a Mesa Diretora da Alepe afirmou que a tentativa de votação não seguiu as regras da Casa.
Segundo o texto, a matéria não constava na Ordem do Dia e não havia sido publicada previamente no Diário Oficial, o que inviabilizaria qualquer deliberação.
A nota também destaca que o cumprimento dessas regras é essencial para garantir a transparência e a segurança jurídica das decisões legislativas.



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