Por que Magnoli mudou de posição sobre o impeachment de Dilma
Entenda por que Demétrio Magnoli mudou de posição sobre o impeachment de Dilma e quais consequências ele aponta anos depois
Foto: Reprodução O sociólogo Demétrio Magnoli publicou um mea-culpa ao reavaliar sua defesa do impeachment de Dilma Rousseff. No texto, ele reconhece que a mudança de posição ocorrida em 2016 foi um erro de avaliação política, admitido anos depois com distanciamento histórico.
A reflexão foi publicada originalmente em 2022 e voltou a circular como parte da iniciativa “105 Colunas de Grande Repercussão”, lançada em fevereiro de 2026 pela Folha de S.Paulo.
A mudança de posição em 2016
Magnoli relembra que, em março de 2016, escreveu a coluna intitulada “Impeachment, urgente!”, marcando uma guinada em relação à posição contrária que sustentava desde o início de 2015. Ele afirma que a decisão foi influenciada pelas reações da então presidente e da direção do PT ao processo judicial envolvendo Lula.
Segundo o autor, pesaram naquele momento episódios como ameaças de “venezuelanização”, manifestações da militância petista e a tentativa de nomear Lula como ministro para garantir foro privilegiado. No texto, ele escreveu: “Passei a encarar o impeachment como necessidade ‘urgente’ pelas reações de Rousseff e da direção petista ao processo judicial contra Lula”.
O reconhecimento do erro com o tempo
Com o passar dos anos, Magnoli afirma ter revisto aquela avaliação. Ele reconhece que o Supremo Tribunal Federal tinha instrumentos para lidar com a situação institucional, mesmo com a nomeação de Lula para o ministério.
No mea-culpa, o sociólogo escreve que “o STF tinha a prerrogativa de afastar o foro privilegiado de um Lula alçado ao ministério —e certamente a utilizaria”. Para ele, o país poderia ter suportado mais dois anos de governo até a decisão das urnas.
As consequências apontadas pelo autor
Ao analisar os efeitos do impeachment, Magnoli classifica os desdobramentos como “funestos”. Ele afirma que o processo fortaleceu setores da Lava Jato que, posteriormente, contribuíram para a prisão de Lula e para a ascensão de Jair Bolsonaro.
Além disso, aponta que a queda de Dilma interrompeu um processo de aprendizado político sobre o populismo econômico e ofereceu ao lulismo um “álibi narrativo” para ocultar, ao menos em parte, o fracasso de suas políticas.
Legalidade e erro político
Apesar das críticas, Magnoli sustenta que o impeachment seguiu o rito legal e foi supervisionado pelo STF, afastando a tese de golpe. Ainda assim, conclui que a decisão representou um erro político grave.
No encerramento do texto, ele resume sua autocrítica de forma direta: “Legítimo e legal, o impedimento de Rousseff foi um erro político grave. Entendi isso no começo. Depois, fui tragado pelo turbilhão. Mea culpa.”



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