China cobra libertação imediata de Maduro após ação dos EUA
China cobra dos EUA a libertação imediata de Maduro após ofensiva militar na Venezuela e critica violação da soberania e do direito internacional
Foto: Divulgação A China reagiu neste sábado (2) à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma ofensiva militar dos Estados Unidos, e cobrou a libertação imediata do casal.
Em nota oficial, o governo chinês afirmou estar “profundamente chocado” com o ataque e condenou a ação americana contra a Venezuela.
China pede libertação de Maduro e segurança do casal
Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, a China fez um apelo direto aos Estados Unidos para que garantam a integridade física de Nicolás Maduro e de sua esposa, além de exigir que ambos sejam libertados imediatamente.
“A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação”, declarou o ministério.
Condenação à ação militar dos EUA
Antes mesmo desse pedido formal, Pequim já havia se manifestado contra a ofensiva militar, afirmando que condena a ação e que ficou “profundamente chocada” com o ataque conduzido pelos Estados Unidos.
Segundo o governo chinês, a operação representa uma violação grave do direito internacional e da soberania venezuelana. “A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe”, declarou.
Ainda no mesmo posicionamento, o país asiático pediu respeito à Carta da ONU e ao princípio da soberania nacional. “Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países.”
Chegada de Maduro aos Estados Unidos
Após a captura, Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, localizado nos arredores de Nova York. A chegada ocorreu sob forte esquema de segurança, envolvendo policiais, militares e agentes especializados.
Trump fala em controle da Venezuela e exploração do petróleo
Horas depois da operação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em pronunciamento que o país governará a Venezuela até a realização de uma transição política. Ele também declarou que o petróleo venezuelano passará a ser explorado por empresas americanas.
A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um de seus principais compradores. Questionado sobre o impacto da ação na relação com o país asiático e outros interessados, Trump afirmou que quem quiser petróleo poderá comprá-lo.
“Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão.”
Possível escalada militar e negociações políticas
Trump também afirmou que, se considerar necessário, enviará tropas ao território venezuelano para garantir o controle americano. Além disso, disse estar negociando com Delcy Rodríguez, vice de Maduro, sobre os próximos passos políticos. O Brasil a reconheceu como presidente interina na ausência do ditador.
Temor internacional e o precedente para outros conflitos
A invasão da Venezuela e a captura de Maduro geraram preocupação internacional. Há receio de que a ação abra espaço para que outros países adotem estratégias semelhantes contra vizinhos, como no caso da China em relação a Taiwan.
Pequim considera a ilha parte “inalienável” de seu território e não descarta o uso da força para promover a reunificação.
Editorial chinês critica postura dos EUA
Editorial publicado neste domingo (4) pelo jornal estatal China Daily afirmou que as ações do governo Trump estabelecem “um precedente perigoso para as relações internacionais”.
Sem citar diretamente países específicos, o texto avaliou que o raciocínio de Washington poderia conceder a “países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.
“A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos”, diz o editorial.



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