Em São Paulo, eleitores cobram posicionamento de Tabata Amaral sobre denúncia envolvendo João Campos
Deputada Tabata Amaral é cobrada por eleitores de São Paulo após denúncia envolvendo suposta alteração em concurso público
Eleitores do estado de São Paulo passaram a cobrar publicamente um posicionamento da deputada federal Tabata Amaral (PSB) diante da denúncia relacionada à gestão da Prefeitura do Recife, comandada por João Campos (PSB), que é seu namorado.
Até a manhã desta sexta-feira (2), quando esta matéria foi publicada, Tabata Amaral ainda não havia se manifestado sobre o episódio. A ausência de posicionamento acabou gerando críticas, especialmente de opositores políticos, que defendem uma resposta mais clara da parlamentar.
Nas redes sociais, a cobrança ganhou força. Usuários do Twitter, incluindo pessoas conhecidas do público, passaram a comentar o caso e a questionar a postura da deputada diante da situação.




Entenda o que aconteceu
O caso envolve Lucas Vieira Silva, que participou do concurso para procurador do município realizado em dezembro de 2022. Inicialmente, ele concorreu pela ampla concorrência e terminou classificado na 63ª colocação.
Três anos após o concurso, em maio deste ano, Lucas solicitou à Prefeitura do Recife a mudança de modalidade para a lista de PCD. Para isso, apresentou um laudo médico que atestava diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O documento foi posteriormente confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho.
Lucas é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, órgão ligado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.
Reclassificação e nomeação
O pedido de reclassificação foi aceito pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes. Com isso, foi publicada uma nova homologação em 19 de dezembro, colocando Lucas na primeira posição entre os candidatos com deficiência.
Essa alteração serviu de base para a nomeação ao cargo de procurador do município. A portaria, assinada pelo prefeito João Campos, foi publicada no penúltimo sábado, dia 20 de dezembro.
Anulação após repercussão negativa
Após a divulgação do caso e a reação negativa, a Prefeitura do Recife decidiu cancelar a nomeação. O cargo de procurador do município tem remuneração aproximada de R$ 30 mil.
Outro candidato, que havia se classificado para a única vaga reservada a PCD no concurso e aguardava nomeação, perdeu a vaga com a reclassificação e entrou com recurso administrativo.
A anulação da nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial nesta quarta-feira, dia 31. A nova portaria também é assinada pelo prefeito João Campos (PSB).
O que diz o prefeito João Campos
Na noite da quinta-feira (1º), o prefeito do Recife, João Campos, negou que tenha beneficiado o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco no concurso de 2022.
Segundo ele, a decisão inicial partiu da Procuradoria-Geral do município, que considerou como primeiro colocado um candidato com TEA após a apresentação de laudo médico posterior ao certame.
João Campos afirmou ainda que a Procuradoria do Recife recuou após determinação da Justiça, garantindo a vaga a outro candidato com deficiência física que já constava na lista de PCD desde a realização do concurso.
"Não há nenhuma decisão de mudança de nota, de passar na frente, não é isso. Não tem ninguém nomeado em função de nome, sobrenome ou parentesco. Isso não existe. Isso é uma ilação. Não existe isso de forma nenhuma, em nenhum concurso da prefeitura", disse o prefeito, após participar da primeira missa do ano no Santuário do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, onde afirmou ter ido agradecer e pedir proteção.




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