Aécio de Paula
Votação de Lula em Pernambuco surpreendeu o próprio PT
Aliados ouvidos pelo PE 360 relatam cautela antes da votação e apontam a estratégia que ajudou o petista; direita ficou abaixo da meta
Na véspera do segundo turno, a pergunta feita pelo PE 360 a dirigentes do PT e aliados da campanha de Lula em Pernambuco recebia a mesma resposta: a meta era chegar o mais perto possível dos 70% dos votos válidos. A disposição de alcançar esse resultado, porém, vinha acompanhada de cautela. Havia um objetivo comum, mas pouca segurança de que ele se concretizaria.
Os 69,20% obtidos pelo presidente ajudam a explicar a surpresa entre os próprios aliados. Depois dos 63,45% registrados no primeiro turno, considerados insuficientes por integrantes da campanha, Lula ampliou sua participação nos votos válidos em 5,75 pontos percentuais.
Foi uma reação que o campo petista trabalhou para construir nas semanas entre as duas votações. A avaliação dos aliados é de que a mobilização de quem havia deixado de votar teve peso nesse avanço.
O trabalho para levar o eleitor às urnas
O senador Humberto Costa concentrou parte de sua atuação nas conversas com prefeitos de diferentes regiões do estado. A preocupação era prática: facilitar o deslocamento de eleitores, sobretudo nas áreas rurais, e convencer quem havia faltado ao primeiro turno a comparecer desta vez.
O transporte gratuito entrou nessas articulações como um dos instrumentos para ampliar a participação. A estratégia combinava acesso às urnas com o pedido de voto no presidente.
O resultado: Pernambuco foi o segundo estado do país com a maior queda de abstenção do primeiro para o segundo turno.
Uma campanha com várias frentes
A movimentação também envolveu lideranças com trajetórias e relações distintas com o PT. Pedro Campos (PSB), deputado federal mais votado de Pernambuco, cumpriu agendas no Sertão, no Agreste e na Região Metropolitana. Rosa Amorim, eleita deputada federal pelo partido de Lula, manteve uma sequência de eventos.
Jones Manoel, que tem um histórico de críticas ao petismo, foi às ruas em defesa da reeleição. Em Olinda, Vinícius Castello promoveu carreatas diárias. Ivan Morais, que havia disputado o governo estadual, também participou da mobilização.
Essas atuações mostram como a campanha reuniu diferentes grupos em torno de uma tarefa comum. O apoio ao presidente ganhou expressão em agendas locais, articulações com gestores e atividades de rua.
A meta que a direita não alcançou
Do outro lado, integrantes do PL e da direita pernambucana trabalhavam com a expectativa de levar Flávio Bolsonaro aos 35%. O candidato terminou com 30,80%, ligeiramente abaixo dos cerca de 31% do primeiro turno.
A diferença entre a meta e o resultado expôs os limites da campanha no estado. Atos com grande público, como o de Nikolas Ferreira em Boa Viagem, demonstraram capacidade de mobilização, mas não se traduziram no crescimento eleitoral esperado pelos aliados.
A direita ainda atravessou a disputa dividida entre o PL, comandado por Anderson Ferreira, e o grupo de Gilson Machado e Gilson Filho, ligado ao Podemos. Não é possível atribuir o desempenho apenas a essa divisão, mas ela compõe o cenário de uma campanha que terminou distante do objetivo anunciado.
Em Pernambuco, portanto, o segundo turno deixou duas medidas diferentes de expectativa: Lula se aproximou de um patamar que até seus aliados viam com desconfiança; Flávio ficou aquém do avanço que a direita pretendia apresentar.



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