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Ribeirão,31/07/2026

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Aécio de Paula

Pesquisas indicam que Lula não precisa de Raquel Lyra e Raquel Lyra não precisa de Lula

Levantamento da Quaest sugere que eleitor pernambucano está consolidando o voto de forma independente, reduzindo o peso dos apoios políticos

Foto: Reprodução
Pesquisas indicam que Lula não precisa de Raquel Lyra e Raquel Lyra não precisa de Lula Lula e Raquel Lyra durante evento recente em Pernambuco

As pesquisas eleitorais costumam servir para medir o humor do eleitor em determinado momento. Não são uma fotografia do futuro, mas do presente. E, neste momento, os números da Quaest em Pernambuco revelam um cenário que chama atenção: Lula e Raquel Lyra parecem caminhar para 2026 sem depender politicamente um do outro.

A governadora Raquel Lyra aparece com 43% das intenções de voto para a reeleição, enquanto João Campos registra 37%. Mais do que a liderança, o dado mais relevante talvez seja a trajetória. Em abril, era João quem estava oito pontos à frente. Agora, Raquel virou o jogo e abriu seis pontos de vantagem, ao mesmo tempo em que viu sua aprovação crescer de 62% para 68% e a desaprovação cair de 35% para 23%.

No mesmo levantamento, Lula aparece com 55% das intenções de voto para presidente em Pernambuco. Flávio Bolsonaro tem 21%. É uma vantagem confortável em um estado que historicamente lhe garante uma das maiores votações do país.

Quando os dois cenários são colocados lado a lado, surge uma leitura política interessante.

João Campos é o candidato oficialmente apoiado por Lula. Ainda assim, Raquel Lyra lidera a disputa estadual. Isso sugere que uma parcela significativa do eleitorado lulista, pelo menos neste momento, demonstra disposição para votar em Lula para presidente e, ao mesmo tempo, escolher Raquel para governadora.

O movimento inverso também chama atenção. Mesmo sem declarar apoio ao presidente e mantendo uma posição de neutralidade no cenário nacional, Raquel segue crescendo. Sua candidatura parece reunir eleitores identificados tanto com o campo de Lula quanto com o de Bolsonaro, indicando que sua força eleitoral hoje vai além de um eventual alinhamento presidencial.

Em outras palavras, o eleitor pernambucano parece cada vez mais confortável em dividir o voto. A lógica do "voto casado", tão comum em outras eleições, perde força quando os candidatos conseguem construir capital político próprio.

Isso não significa que os apoios deixaram de ter importância. Eles continuam relevantes para a mobilização das campanhas, para a formação de alianças e para a narrativa eleitoral. Mas, até aqui, os números indicam que esses apoios não têm sido determinantes para definir a preferência do eleitor.

É cedo para transformar essa fotografia em previsão definitiva. A campanha eleitoral sequer começou oficialmente. Debates, propaganda, alianças, fatos políticos e a própria presença de Lula em Pernambuco podem alterar esse cenário. O presidente continua sendo o maior líder político do estado e sua participação na campanha ainda pode produzir efeitos importantes.

Mas, olhando exclusivamente para os dados disponíveis hoje, a impressão é clara: Lula não precisa do apoio de Raquel Lyra para fazer uma grande votação em Pernambuco. E Raquel Lyra, por sua vez, também não parece precisar do apoio formal de Lula para chegar competitiva à disputa pela reeleição.

As pesquisas mostram um eleitorado cada vez mais disposto a escolher seus candidatos de forma independente. Se essa tendência permanecer até outubro, Pernambuco poderá assistir a uma eleição em que o voto para governador e o voto para presidente seguirão caminhos próprios, sem que um dependa necessariamente do outro.



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