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Ribeirão,03/06/2026

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Entenda por que Pernambuco tem tantos ataques de tubarão

Especialistas apontam fatores ambientais e geográficos para explicar por que Pernambuco concentra ataques de tubarão desde 1992


Entenda por que Pernambuco tem tantos ataques de tubarão Foto: Reprodução

Pernambuco acumula 84 incidentes envolvendo tubarões desde 1992, segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

Especialistas apontam que os casos registrados na Região Metropolitana do Recife, especialmente nas praias de Boa Viagem e Piedade, são resultado de uma combinação de fatores ambientais e características naturais da costa.

De acordo com pesquisadores, os tubarões não atacam seres humanos por terem os banhistas como alvo. Os episódios estariam relacionados a desequilíbrios ambientais e situações de confusão durante a busca por alimento.

Construção de Suape é apontada como fator decisivo

Entre os elementos apontados pelos especialistas está a implantação do Complexo Portuário de Suape.

Segundo cientistas da área, a construção do porto provocou alterações em ambientes utilizados por espécies como o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata para reprodução e alimentação.

Manguezais e estuários foram aterrados durante as obras, o que levou esses animais a buscar novas áreas.

Além disso, o canal criado para atender a movimentação portuária passou a concentrar peixes e embarcações. O descarte de resíduos orgânicos na água também é citado como um dos fatores que podem atrair predadores para áreas próximas às praias urbanas.

Canal profundo aproxima tubarões da faixa de areia

Outro aspecto destacado pelos especialistas é a geografia submarina da região.

Recife e Jaboatão dos Guararapes possuem um canal profundo paralelo à costa. Essa formação funciona como rota de deslocamento para grandes peixes e tubarões.

Nos trechos onde não há arrecifes atuando como barreira natural, os animais conseguem chegar mais perto da praia, inclusive em áreas onde a profundidade da água é baixa.

Poluição e água turva aumentam o risco

A presença de rios que desembocam na região também é apontada como um dos fatores relacionados aos incidentes.

Quando há chuva ou maré alta, a água tende a ficar mais turva devido ao transporte de matéria orgânica e resíduos.

Nessas condições, a visão dos tubarões fica prejudicada. Os animais passam a identificar possíveis presas por meio de vibrações e movimentos na água.

Especialistas explicam que, ao chapinhar ou movimentar os pés, o banhista pode ser confundido com uma presa ferida, situação conhecida como "mordida exploratória".

Falta de monitoramento afetou pesquisas

O monitoramento sistemático dos tubarões na costa continental pernambucana também ficou interrompido por 11 anos devido à falta de recursos.

A atividade envolvia a captura, marcação com microchips e posterior soltura dos animais em mar aberto.

Com a interrupção dos trabalhos, pesquisadores perderam informações importantes sobre o comportamento das espécies e campanhas de conscientização deixaram de ser realizadas com a mesma frequência.

Diante de novos incidentes, o governo de Pernambuco abriu editais para retomar as pesquisas e as ações de monitoramento.

Quais espécies estão envolvidas nos ataques

As investigações realizadas pelo Cemit e por universidades indicam que a maior parte dos incidentes envolve duas espécies.

Tubarão-cabeça-chata

O tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) é descrito pelos pesquisadores como uma espécie agressiva e adaptada a águas salobras, podendo entrar em estuários de rios.

Tubarão-tigre

Já o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) é uma espécie de grande porte que circula pela costa em busca de alimento.




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