Luciano Bivar sugere exterminar tubarões em Pernambuco
Luciano Bivar defendeu o extermínio de parte dos tubarões em Pernambuco após recentes incidentes. Especialistas afirmam que a medida é ineficiente
Foto: Reprodução O deputado federal Luciano Bivar (MDB) defendeu o extermínio de parte da população de tubarões em Pernambuco após os recentes incidentes registrados nas praias de Boa Viagem, no Recife, e de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
A declaração foi feita em um artigo de opinião publicado no Blog do Magno e voltou a ser defendida pelo parlamentar em entrevista ao g1. A proposta gerou reação de especialistas, que afirmam que a medida seria ineficiente e prejudicial ao equilíbrio ambiental.
Os comentários ocorrem após uma sequência de casos envolvendo tubarões no estado. Somente neste ano, Pernambuco registrou quatro pessoas mordidas. Em janeiro, um adolescente de 13 anos morreu após ser atacado na Praia Del Chifre, em Olinda. Nos dois episódios mais recentes, as vítimas perderam uma das pernas.
O que disse Luciano Bivar
No artigo, Bivar afirmou que cresceu frequentando a Praia de Piedade e que percebe mudanças no ambiente marinho da região.
"Ou exterminamos um pouco desses tubarões, ou nossa fauna marinha de Piedade e Boa Viagem desaparecerá. No Quênia, em outras épocas, deram licenças para caçar elefantes que estavam causando impactos às florestas e savanas", diz o texto.
O deputado também relembrou o período em que costumava nadar nas praias da Região Metropolitana do Recife.
"Hoje, basta fazer uma vez. Ou nós controlamos essa proliferação ou adeus banhos de mar", afirmou.
Em entrevista ao g1, ele voltou a defender a necessidade de controle da população dos animais e mencionou exemplos de manejo de espécies em outras regiões do país.
"Você não vê mais tinteiro, não vê mais caravelas, não vê mais ouriços. Mas o que eu quero dizer é o seguinte, não era infectado dessas coisas. E a gente continua esperando, porque a gente está no habitat do tubarão, mas o habitat do tubarão também era das sardinhas, também eram dos xareus, dos camurins. Também era o habitat deles, e foram exterminados. [...] Você tem que controlar, não pode deixar quem está no topo da cadeia alimentar não ter controle", afirmou.
Deputado pretende consultar ambientalistas
Questionado sobre possíveis iniciativas no Congresso Nacional relacionadas aos incidentes com tubarões, Bivar disse que pretende conversar com especialistas antes de avaliar medidas legislativas.
"Há um escritório de um ambientalista muito famoso, que é o Sérgio Buarque, pretendo falar com ele sobre esse assunto, se ele concorda. Se ele concordar, vou pedir a ele subsídios para a gente ver o que pode fazer para dar sustentabilidade ao governo e tomar medidas mais objetivas com relação ao controle dessa cadeia do ecossistema. Senão a fauna daqui de Piedade e Boa Viagem vai se acabar. [...] E eu vou me consultar com o ambientalista para ver se tem algum projeto lá pronto para eu fazer a minha parte política e dar prosseguimento para a gente controlar isso", disse.
Especialistas criticam proposta
A secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, classificou a proposta como inadequada.
"Isso não é alternativa que exista. Alguns países tentaram, mas é inefiente e ecologicamente deturpada", explicou.
Segundo ela, o extermínio dos animais não resolveria o problema e poderia causar impactos ambientais.
Espécies envolvidas nos incidentes
De acordo com o Cemit, seis espécies de tubarão são encontradas no Grande Recife. No entanto, apenas duas estão associadas aos incidentes registrados na região: o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.
O tubarão-tigre foi identificado no ataque à jovem de 19 anos ocorrido na segunda-feira (1º). Já o tubarão-cabeça-chata esteve envolvido no caso do menino de 11 anos, registrado no domingo (31).
Danise Alves explicou que ambas as espécies desempenham papel importante no ecossistema marinho.
"O tubarão-tigre é migratório, frequenta áreas continentais e oceânicas. Se exterminar aqui, a população vai se manter e aumentar em outras áreas, porque eles migram constantemente. Já o cabeça-chata é mais residente, fica em águas rasas. Mas são predadores de topo. Se você os elimina, acaba eliminando as presas, porque elas vão se proliferar tanto que não vai ter alimento para se manterem. Isso vai prejudicar a pesca, o turismo e o equilíbrio marinho", explicou.



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