Teresa Leitão culpa família Bolsonaro por novo tarifaço dos EUA
Teresa Leitão atribuiu à família Bolsonaro a responsabilidade pelo novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Entenda a investigação
Foto: Reprodução A senadora pernambucana Teresa Leitão (PT) atribuiu à família Bolsonaro a responsabilidade pelo novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil. A declaração foi feita nesta terça-feira (2) por meio das redes sociais da parlamentar.
Ao comentar a medida proposta pelo governo norte-americano, Teresa afirmou que a decisão teria relação com interesses políticos ligados à família do ex-presidente.
“O tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil é responsabilidade da família Bolsonaro. Engenheiros do caos, eles estão dispostos a prejudicar a economia nacional, afetar empregos e enfraquecer setores produtivos para atender a seus próprios interesses políticos.”
A senadora também citou o Pix entre os pontos mencionados pelos Estados Unidos na investigação comercial.
“Um dos argumentos do governo americano é que o PIX tem prejudicado injustamente empresas dos EUA. Trata-se de mero pretexto para atacar nossa soberania e nossas instituições. O PIX é tecnologia brasileira e não abriremos mão dele.”
“Quem trabalha contra os interesses do Brasil e de seu povo não pode se apresentar como defensor da pátria.”
O que motivou a nova medida dos Estados Unidos
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos. O mecanismo permite ao governo norte-americano adotar sanções unilaterais quando entende que práticas de outro país prejudicam empresas ou interesses comerciais americanos.
A investigação foi aberta durante o governo de Donald Trump.
Os pontos citados no relatório
O documento final da investigação apresenta seis áreas que, segundo os Estados Unidos, configurariam práticas consideradas “irrazoáveis” ou “desleais”.
Redes sociais e decisões judiciais
O relatório questiona decisões sigilosas de tribunais brasileiros relacionadas à suspensão de perfis e à remoção de conteúdos em plataformas de tecnologia americanas.
Pix
Os Estados Unidos afirmam que o Banco Central atua ao mesmo tempo como operador e regulador do sistema. Segundo o relatório, isso favoreceria o Pix em relação a empresas estrangeiras do setor de pagamentos.
Acordos comerciais
O governo americano também aponta reduções tarifárias concedidas pelo Brasil a produtos do México e da Índia sem a extensão dos mesmos benefícios aos Estados Unidos.
Desmatamento ilegal
Outro argumento apresentado é que falhas de fiscalização sobre o desmatamento ilegal reduziriam custos de produção de setores brasileiros, criando vantagem competitiva frente aos produtores americanos.
Mercado de etanol
O relatório menciona a ausência de reciprocidade em relação às tarifas aplicadas ao etanol dos Estados Unidos.
Propriedade intelectual e corrupção
Também são citadas reclamações sobre a demora na análise de patentes pelo INPI e mudanças relacionadas à punição de crimes financeiros após anulações de sentenças da Operação Lava Jato.
Produtos que ficaram fora da nova taxação
Apesar da proposta de tarifa adicional, o governo americano elaborou uma lista com mais de 1.600 códigos de produtos isentos da medida.
Entre os itens que ficaram de fora estão:
- Café;
- Carne bovina;
- Suco de laranja;
- Frutas;
- Nozes;
- Cereais;
- Especiarias;
- Aeronaves da Embraer e peças aeronáuticas;
- Celulose;
- Fertilizantes;
- Petróleo bruto;
- Minerais críticos;
- Terras raras;
- Compostos farmacêuticos;
- Químicos orgânicos.
Produtos que já possuem sobretaxas, como aço e alumínio, permanecem sujeitos às regras anteriores e não acumulam a nova tarifa de 25%.
Quais são os próximos prazos
A proposta ainda não entrou em vigor. A legislação americana prevê uma etapa de consultas públicas antes da decisão definitiva.
O cronograma divulgado prevê:
- Até 22 de junho: solicitação de participação nas audiências;
- Até 1º de julho: envio de comentários e contestações por escrito;
- 6 de julho: realização da audiência pública do USTR;
15 de julho: prazo final para definição, alteração ou confirmação das sanções.



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