MEC reduz vagas em 3 cursos de Medicina em PE; veja quais
MEC reduz vagas em cursos de Medicina em Pernambuco após avaliação do Enamed 2025; veja instituições afetadas e medidas aplicadas
Foto: Freepik Três cursos de Medicina em Pernambuco terão redução de 25% no número de vagas após desempenho considerado insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A medida foi oficializada pelo Ministério da Educação (MEC) e já está em vigor.
A decisão consta na Portaria nº 74/2026 da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), publicada nesta terça-feira (17) no Diário Oficial da União.
Quais cursos de Medicina em PE foram afetados
As instituições atingidas pela medida estão localizadas em diferentes cidades da Região Metropolitana:
- Centro Universitário Maurício de Nassau, no Recife
- Faculdade de Medicina de Olinda (FMO), em Olinda
- Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes
Os cursos foram enquadrados com conceito 2 no Enamed, com percentual de concluintes considerados proficientes entre 40% e menos de 50%.
Por que o MEC reduziu as vagas
O processo de supervisão foi aberto com base no desempenho dos estudantes concluintes na edição de 2025 do exame.
Segundo o MEC, cursos que obtêm conceitos 1 ou 2 são considerados com desempenho insuficiente e podem passar por monitoramento mais rigoroso.
Durante esse período, as instituições precisam apresentar um plano de melhoria, enquanto o ministério acompanha o funcionamento dos cursos.
Medidas aplicadas aos cursos
Além da redução de 25% nas vagas, outras restrições foram impostas às instituições:
- Suspensão de novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)
- Proibição de solicitar aumento no número de vagas
- Suspensão de benefícios regulatórios concedidos pela Seres
- Restrições à participação em programas federais de acesso ao ensino superior
As medidas cautelares seguem válidas até a divulgação dos resultados do Enamed de 2026, quando poderão ser mantidas, alteradas ou revogadas.
As faculdades notificadas têm até 30 dias para apresentar manifestação inicial no processo de supervisão.
O que dizem as instituições
Por meio de nota enviada a veículos de imprensa, a Afya informou que "ainda não recebeu retorno de todos seus recursos abertos no INEP, que podem alterar os resultados do Enamed 2025."
A universidade afirmou que respeita o exame, mas questiona aspectos da aplicação. Segundo a nota, houve mudanças e divulgação de regras após a realização da prova, o que deverá ser considerado em eventuais medidas administrativas ou judiciais.
"Sem prejuízo das próximas etapas dessas supervisões, a prioridade da companhia já está direcionada para o Enamed 2026, com previsão de realização em setembro, na expectativa de que a Seres e o INEP contemplem no novo edital os ajustes metodológicos já apresentados nas interlocuções realizadas com as respectivas técnicas do MEC e do próprio INEP", finaliza a nota.
A Uninassau informou que não irá se posicionar. Já a Faculdade de Medicina de Olinda ainda não respondeu.
Entidades criticam critérios das sanções
Representantes de instituições privadas questionaram a forma como as sanções foram aplicadas.
Em nota, a Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior (Amies) declarou que "A AMIES manifesta preocupação com o uso isolado do desempenho dos estudantes como único insumo para classificar cursos e acionar medidas de supervisão".
A entidade argumenta que, diferentemente do Enade, o Enamed não considera outros indicadores de avaliação institucional.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) também defendeu revisão das medidas, apontando risco de insegurança jurídica.
Entenda o Enamed e a avaliação dos cursos
O Enamed é um exame que avalia a formação de estudantes de Medicina no Brasil e integra a política de monitoramento da qualidade do ensino superior.
Os resultados mais recentes foram divulgados em janeiro. Dos 350 cursos avaliados, 107 tiveram conceitos 1 ou 2.
Desses, 99 passaram a ser alvo de processos de supervisão e aplicação de sanções pelo MEC.
A maior parte dos cursos com baixo desempenho pertence a instituições privadas, que estão sob regulação direta do ministério.
Cursos são classificados nas faixas mais baixas quando menos de 60% dos estudantes atingem o nível mínimo de proficiência.



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