Entenda como a disputa João x Raquel pode influenciar a eleição da Bahia
Tensão entre PSB e PT em Pernambuco pode alterar alianças e impactar a disputa pelo governo da Bahia em 2026. Entenda os bastidores
Foto: Reprodução Quem acompanha o início do ano no Nordeste costuma olhar para Pernambuco e Bahia pensando em festa, blocos e grandes shows. Mas, em 2026, os dois estados também aparecem conectados por outro motivo: a movimentação política que pode mudar alianças e influenciar disputas eleitorais.
Uma tensão envolvendo o PSB, presidido nacionalmente pelo prefeito do Recife, João Campos, pode levar o partido a deixar a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia e migrar para a oposição liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual. A informação foi confirmada ao jornal CORREIO por cinco fontes ligadas ao governo e à oposição.
Tensão começa com o cenário eleitoral em Pernambuco
O ponto de partida da crise está na relação entre João Campos e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro defende a tese de palanque duplo em Pernambuco nas eleições de 2026.
A proposta prevê que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoie simultaneamente João Campos — que deve deixar a prefeitura em abril para disputar o governo estadual — e a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
João Campos, porém, deseja apoio exclusivo do presidente.
Pesquisas aumentam pressão
O incômodo cresceu nas últimas semanas após a melhora do desempenho de Raquel Lyra nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado neste mês, registrado sob os números PE-09595/2026 e BR-06559/2026, aponta João Campos com 47% das intenções de voto, contra 35% da governadora.
A diferença, que era de 22 pontos em outubro, caiu para 12 pontos.
Outro fator que amplia o desconforto é a possibilidade de mudanças na chapa presidencial. Segundo a imprensa nacional, Lula dialoga com partidos de centro-direita e avalia oferecer a vaga de vice-presidente a uma dessas legendas, o que pode retirar o PSB da posição hoje ocupada por Geraldo Alckmin.
Impacto direto na política da Bahia
Diante desse cenário, João Campos ameaça retirar o PSB da base do governador Jerônimo Rodrigues na Bahia. No estado, o partido é comandado pela deputada federal Lídice da Mata.
A possível mudança levaria a legenda para o campo da oposição liderado por ACM Neto.
Integrantes do PSB, entre eles o deputado federal pernambucano Felipe Carreras, já mantêm conversas com membros da família Coronel. O principal interlocutor é o deputado federal Diego Coronel. A articulação prevê que a família dispute a reeleição pela sigla.
Bastidores revelam dúvidas e preocupação
Um oposicionista classificou como “bem improvável” a mudança de lado, embora não descarte o movimento. Outros demonstram confiança e destacam o impacto que uma eventual migração poderia provocar, questionando qual seria o destino dos socialistas caso a ruptura se concretize.
Nos bastidores do PT, o cenário é visto com apreensão. Um integrante do partido afirmou, reservadamente, que a situação “preocupa”. Ele diz compreender a estratégia de Rui Costa ao manter diálogo com a governadora e tentar preservar ambos no mesmo campo político.
Segundo o relato, Rui “não é exatamente um símbolo de habilidade política” e “acaba por pesar demais a mão e esticar a corda com João Campos e o PSB”.
Procurada, a assessoria do ministro informou que ele não vai se manifestar.
Um histórico de tensão entre PSB e PT no estado
Se o rompimento se confirmar, não será a primeira vez que PSB e PT se afastam politicamente na Bahia. Em 2014, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ameaçou retirar de Lídice da Mata o controle do partido no estado caso ela não disputasse o governo baiano para reforçar seu projeto presidencial.
Naquele ano, Lídice concorreu ao Palácio de Ondina e enfrentou Rui Costa, provocando distanciamento entre PSB e PT.
Conexões que vão além da cultura
Assim como os dois estados costumam dividir atenções no início do ano por causa do carnaval, a política mostra que Pernambuco e Bahia também podem estar conectados nas articulações eleitorais.
Os próximos meses devem indicar se a tensão evoluirá para uma mudança concreta de alianças e qual será o impacto nas eleições de 2026.



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