Estudantes se revoltam e convocam protestos pedindo anulação total do Enem
Estudantes organizam atos nacionais para exigir a anulação completa do Enem após polêmica envolvendo questões semelhantes às do exame
Foto: Reprodução A pressão sobre o Enem ganhou um novo capítulo nesta semana. O que começou como uma indignação isolada se transformou em um movimento nacional que promete levar milhares de jovens às ruas. A decisão do Inep de cancelar apenas três questões após a polêmica envolvendo itens semelhantes aos da prova não convenceu quem passou o ano inteiro estudando.
Nas redes sociais, o sentimento é de frustração. Grupos se formaram rapidamente, vídeos se espalharam e muitos estudantes dizem se sentir prejudicados pela situação. A convocação para protestos ganhou força e agora se prepara para ocupar espaços públicos em diversas capitais.
A mobilização que tomou forma nas redes
O movimento chamado Anula Enem promete manifestações neste sábado (22). A articulação surgiu após o caso do universitário Edcley Teixeira, que exibiu em uma live itens muito parecidos com questões que acabaram caindo nas provas de matemática e ciências da natureza.
A insatisfação cresceu quando o Inep confirmou apenas três cancelamentos. A decisão não agradou os organizadores, que afirmam ter sido prejudicados e usam WhatsApp e Telegram para coordenar as ações. Em São Paulo, o protesto será no Masp, na avenida Paulista.
Letícia Araújo, 21 anos, é um dos nomes por trás da mobilização. Ela conta que tudo começou no dia 18, após tomar conhecimento da polêmica. Para ela, o impacto da situação é direto: cada ponto pode definir o futuro de quem disputa uma vaga no ensino superior.
Moradora do Rio de Janeiro, Letícia tenta pela segunda vez uma vaga em ciências biológicas na Unirio e diz que a ideia dos atos surgiu depois de acompanhar a revolta de outros jovens no X (antigo Twitter).
O que o movimento reivindica
Os organizadores pedem:
- Anulação total do Enem
- Renovação completa do banco de itens
- Responsabilização de todos os envolvidos
- Mudanças nos pré-testes do Prêmio Capes Talento Universitário
A cobrança ocorre porque as questões do Enem seguem a TRI (Teoria de Resposta ao Item) e passam por pré-testes, inclusive nas provas ligadas ao prêmio da Capes, realizadas com estudantes recém-ingressos no ensino superior.
Como o caso veio à tona
Após a aplicação das provas de matemática e ciências da natureza, viralizou um vídeo em que o universitário Edcley Teixeira, aluno de medicina da Universidade Federal do Ceará, apresentava suas apostas para o exame.
Ele exibiu ao menos cinco itens muito semelhantes aos aplicados no Enem. Segundo ele, essas questões teriam sido memorizadas após sua participação no prêmio da Capes.
A apuração mostrou que pelo menos três dessas questões já haviam sido utilizadas em pré-testes para o banco do Enem. O estudante não respondeu à reportagem até o momento.
Estudantes pressionam e pedem respostas
Letícia afirma que conheceu outros administradores do movimento no mesmo dia em que criou o grupo no WhatsApp. Para ela, ir às ruas é uma forma de reivindicar igualdade. Os integrantes tentaram contato com o Inep e com o Ministério da Educação, mas, segundo relatam, não receberam retorno.
O Inep, por sua vez, divulgou nota garantindo a “isonomia, lisura e validade” do Enem 2025. O órgão afirma que nenhuma questão foi reproduzida integralmente e que as semelhanças eram apenas pontuais.
A Polícia Federal foi acionada para investigar o vazamento.
Ansiedade entre os candidatos e apoio crescente
Professores de cursinhos ouvidos pela Folha de São Paulo relatam aumento da ansiedade entre os candidatos, já desgastados após a maratona de provas. Enquanto isso, o perfil do movimento no Instagram se aproxima de 9 mil seguidores, recebendo apoio de comunicadores e professores. O grupo se declara apartidário e espera atrair estudantes de diferentes regiões.
Os atos devem seguir um padrão em várias capitais, com caminhadas pacíficas. Para Letícia, a mudança depende da participação ativa dos jovens.
Ela também rebate críticas ao pedido de anulação geral. Segundo ela, cancelar apenas três itens não resolve o problema, já que milhares podem ter sido impactados. Para o movimento, a anulação total é a única forma de garantir justiça.



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