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Ribeirão,01/04/2026

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Estudantes se revoltam e convocam protestos pedindo anulação total do Enem

Estudantes organizam atos nacionais para exigir a anulação completa do Enem após polêmica envolvendo questões semelhantes às do exame


Estudantes se revoltam e convocam protestos pedindo anulação total do Enem Foto: Reprodução

A pressão sobre o Enem ganhou um novo capítulo nesta semana. O que começou como uma indignação isolada se transformou em um movimento nacional que promete levar milhares de jovens às ruas. A decisão do Inep de cancelar apenas três questões após a polêmica envolvendo itens semelhantes aos da prova não convenceu quem passou o ano inteiro estudando.

Nas redes sociais, o sentimento é de frustração. Grupos se formaram rapidamente, vídeos se espalharam e muitos estudantes dizem se sentir prejudicados pela situação. A convocação para protestos ganhou força e agora se prepara para ocupar espaços públicos em diversas capitais.

A mobilização que tomou forma nas redes

O movimento chamado Anula Enem promete manifestações neste sábado (22). A articulação surgiu após o caso do universitário Edcley Teixeira, que exibiu em uma live itens muito parecidos com questões que acabaram caindo nas provas de matemática e ciências da natureza.

A insatisfação cresceu quando o Inep confirmou apenas três cancelamentos. A decisão não agradou os organizadores, que afirmam ter sido prejudicados e usam WhatsApp e Telegram para coordenar as ações. Em São Paulo, o protesto será no Masp, na avenida Paulista.

Letícia Araújo, 21 anos, é um dos nomes por trás da mobilização. Ela conta que tudo começou no dia 18, após tomar conhecimento da polêmica. Para ela, o impacto da situação é direto: cada ponto pode definir o futuro de quem disputa uma vaga no ensino superior.

Moradora do Rio de Janeiro, Letícia tenta pela segunda vez uma vaga em ciências biológicas na Unirio e diz que a ideia dos atos surgiu depois de acompanhar a revolta de outros jovens no X (antigo Twitter).

O que o movimento reivindica

Os organizadores pedem:

  • Anulação total do Enem
  • Renovação completa do banco de itens
  • Responsabilização de todos os envolvidos
  • Mudanças nos pré-testes do Prêmio Capes Talento Universitário

A cobrança ocorre porque as questões do Enem seguem a TRI (Teoria de Resposta ao Item) e passam por pré-testes, inclusive nas provas ligadas ao prêmio da Capes, realizadas com estudantes recém-ingressos no ensino superior.

Como o caso veio à tona

Após a aplicação das provas de matemática e ciências da natureza, viralizou um vídeo em que o universitário Edcley Teixeira, aluno de medicina da Universidade Federal do Ceará, apresentava suas apostas para o exame.

Ele exibiu ao menos cinco itens muito semelhantes aos aplicados no Enem. Segundo ele, essas questões teriam sido memorizadas após sua participação no prêmio da Capes.

A apuração mostrou que pelo menos três dessas questões já haviam sido utilizadas em pré-testes para o banco do Enem. O estudante não respondeu à reportagem até o momento.

Estudantes pressionam e pedem respostas

Letícia afirma que conheceu outros administradores do movimento no mesmo dia em que criou o grupo no WhatsApp. Para ela, ir às ruas é uma forma de reivindicar igualdade. Os integrantes tentaram contato com o Inep e com o Ministério da Educação, mas, segundo relatam, não receberam retorno.

O Inep, por sua vez, divulgou nota garantindo a “isonomia, lisura e validade” do Enem 2025. O órgão afirma que nenhuma questão foi reproduzida integralmente e que as semelhanças eram apenas pontuais.

A Polícia Federal foi acionada para investigar o vazamento.

Ansiedade entre os candidatos e apoio crescente

Professores de cursinhos ouvidos pela Folha de São Paulo relatam aumento da ansiedade entre os candidatos, já desgastados após a maratona de provas. Enquanto isso, o perfil do movimento no Instagram se aproxima de 9 mil seguidores, recebendo apoio de comunicadores e professores. O grupo se declara apartidário e espera atrair estudantes de diferentes regiões.

Os atos devem seguir um padrão em várias capitais, com caminhadas pacíficas. Para Letícia, a mudança depende da participação ativa dos jovens.

Ela também rebate críticas ao pedido de anulação geral. Segundo ela, cancelar apenas três itens não resolve o problema, já que milhares podem ter sido impactados. Para o movimento, a anulação total é a única forma de garantir justiça.




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