Lampião em Pernambuco: o que o rei do cangaço fez no nosso território?
Conheça as histórias — reais e lendárias — das passagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, por cidades do Sertão pernambucano
Foto: Divulgação Antes de virar nome de banda, personagem de filme ou boneco de Carnaval, Lampião foi temido de verdade. O "Rei do Cangaço", como ficou conhecido, marcou profundamente a história do Nordeste, e Pernambuco foi um dos estados mais presentes na trajetória dele — tanto como palco de conflitos quanto como lar de aliados e perseguidores.
O nascimento em Serra Talhada
Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 1897, no município de Serra Talhada, no Sertão pernambucano. A família vivia da criação de gado e entrou em conflito com outras famílias locais, o que levou Virgulino à vida de cangaceiro após a morte do pai em uma emboscada. A sede por vingança deu lugar à fama, e Lampião passou a liderar um grupo temido por coronéis e autoridades.
Cidades marcadas pelo cangaço
Ao longo de suas andanças, Lampião e seu bando passaram por dezenas de cidades pernambucanas. Algumas das mais marcantes incluem:
- Triunfo e Floresta: Usadas como refúgio por conhecerem bem os caminhos da caatinga.
- Belmonte e São José do Belmonte: Locais de emboscadas e disputas entre cangaceiros e volantes (a força policial da época).
- Nazaré do Pico (em Serra Talhada): Considerada uma das comunidades que mais combateu o cangaço, com moradores organizando grupos armados para enfrentar os cangaceiros.
- Cabrobó: Um dos últimos redutos antes da entrada na Bahia, onde Lampião viria a ser morto.
Entre a lenda e a verdade
As histórias sobre Lampião em Pernambuco misturam realidade e mito. Há quem diga que ele distribuía dinheiro aos pobres e castigava coronéis exploradores — o famoso “Robin Hood do Sertão”. Outros lembram da violência impiedosa do bando, que não hesitava em matar, saquear ou sequestrar.
Além disso, a figura de Maria Bonita, companheira de Lampião e primeira mulher a integrar um grupo de cangaceiros, também chama atenção. Ela ganhou status de heroína em muitos relatos populares, e sua imagem permanece viva nas festas, nos cordéis e na cultura popular do estado.
O fim: sangue e traição
O ciclo chegou ao fim em 1938, quando o grupo foi emboscado pela polícia na Grota de Angico, em Sergipe. Lampião, Maria Bonita e parte do bando foram mortos e tiveram as cabeças decepadas — que depois foram expostas em praça pública, inclusive no Recife, como forma de intimidação.
Por que Lampião ainda vive no imaginário popular?
- Ele representa um tempo em que o Nordeste era esquecido pelo governo central — e em que a justiça era feita à bala.
- Sua figura virou ícone da resistência, mesmo que controversa.
- O cangaço, com toda sua estética e história, moldou o imaginário de gerações no Sertão pernambucano.



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