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Ribeirão,24/02/2026

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Muito além do Carnaval: entenda a rivalidade histórica entre Recife e Olinda

Mais do que disputa de Carnaval, a rixa entre as cidades começou no século XVI, misturando religião, política, comércio e poder


Muito além do Carnaval: entenda a rivalidade histórica entre Recife e Olinda Foto: Reprodução

Quando se fala em rivalidade entre cidades vizinhas, poucas histórias são tão intensas, e antigas, quanto a que une (ou separa) Olinda e Recife. Muito antes das piadas sobre quem tem o melhor Carnaval ou os memes sobre “olindense raiz”, o embate entre as duas começou de forma bastante séria: com sangue, fogo e interesses políticos.

Tudo começa no século XVI

Olinda foi fundada em 1535 e logo se tornou o centro político e administrativo da Capitania de Pernambuco. Era onde estavam as famílias da elite açucareira, os senhores de engenho e a Igreja Católica. Já Recife, ainda um simples porto, crescia à margem da aristocracia, com comerciantes portugueses, holandeses e pessoas ligadas ao transporte de mercadorias.

Esse desequilíbrio criou tensões. De um lado, Olinda: conservadora, religiosa, cheia de títulos. Do outro, Recife: popular, comercial, e cada vez mais rica.

A invasão holandesa aprofundou o conflito

No século XVII, com a ocupação holandesa, Recife foi elevada à condição de capital administrativa. Os holandeses investiram na infraestrutura da cidade e incentivaram a tolerância religiosa, atraindo judeus, protestantes e comerciantes estrangeiros. Olinda, ligada ao catolicismo e à elite luso-brasileira, viu sua influência diminuir.

Após a expulsão dos holandeses, os olindenses tentaram retomar o controle, mas Recife já havia crescido demais. A disputa virou uma batalha aberta: entre 1710 e 1711, o episódio conhecido como a "Guerra dos Mascates" colocou fogo (literalmente) nas ruas. Os comerciantes recifenses pediram autonomia e conseguiram — Recife virou vila independente, contrariando Olinda.

Carnaval, cultura e identidade

Com o passar dos séculos, a rivalidade foi ganhando novos contornos. No Carnaval, por exemplo, a disputa virou tradição: quem tem o maior bloco, o melhor desfile, a festa mais autêntica? Enquanto Olinda ostenta ladeiras, bonecos gigantes e um clima mais “raiz”, Recife exibe palcos grandiosos e atrações internacionais.

Mas por trás da brincadeira, ainda há um fundo histórico. A rivalidade moldou a identidade das duas cidades — e talvez isso explique por que o “olindense de nascença” ainda torce o nariz quando ouve que o Recife é a capital “de verdade”.

Resumindo: por que essa rivalidade nunca acabou?

  • Religião e classe social: Olinda era católica e aristocrática; Recife, comercial e plural.
  • Política: Recife lutou por autonomia e venceu.
  • Economia: Recife cresceu como centro portuário e virou referência no Nordeste.
  • Cultura: O Carnaval mantém viva a disputa simbólica entre as duas cidades.




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