Delegado que atirou em morador de Fernando de Noronha é indiciado
Delegado Luiz Alberto Braga foi indiciado por lesão corporal gravíssima. Crime teve repercussão nacional
Foto: Divulgação O delegado Luiz Alberto Braga foi indiciado por lesão corporal gravíssima após atirar no ambulante Emmanuel Apory, de 26 anos, durante uma festa em Fernando de Noronha. A vítima teve a perna direita amputada após ser atingida por dois disparos. O caso aconteceu no dia 5 de maio, no Forte dos Remédios, e teria sido motivado por ciúmes envolvendo uma mulher.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira (29) pelo delegado Marcos de Castro, que conduziu as investigações ao lado do também delegado Sérgio Ricardo Vasconcelos. O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco, mas o promotor Fernando Matos, responsável pelo caso, ainda está de férias e deverá analisar o material ao retornar, em 6 de junho.
O que se sabe sobre o caso
A briga começou durante uma festa de samba em Noronha.
Luiz Alberto Braga, que estava substituindo o delegado titular da ilha, acusou Emmanuel de assediar a mulher que o acompanhava.
As imagens de uma câmera de segurança mostram Braga abordando Emmanuel e desferindo um tapa no jovem.
Emmanuel reagiu à agressão e partiu para cima do policial, que então sacou a arma e atirou duas vezes.
Baleado, Emmanuel tentou fugir, mas caiu devido ao ferimento grave na perna.
Ele foi socorrido inicialmente no Hospital São Lucas, em Noronha, e transferido de avião para o Hospital da Restauração, no Recife.
O jovem passou por quatro cirurgias antes de receber alta no dia 22 de junho.
O que dizem as defesas
O advogado do delegado, José Augusto Branco, criticou o indiciamento. Para ele, Luiz Alberto agiu em legítima defesa sucessiva e o relatório da Polícia Civil ignora provas fundamentais, como o vídeo da briga. Branco também afirmou que os delegados estariam tentando “dar uma satisfação à opinião pública”.
Já o advogado de Emmanuel, Anderson Flexa, considera o indiciamento um avanço importante. Para ele, a investigação demonstrou que não houve assédio por parte do ambulante e que a ação do delegado foi ilegítima. Flexa defende que o caso seja tratado como tentativa de homicídio, tese que deverá ser sustentada junto ao Ministério Público.
A atual situação do delegado
Está afastado por 120 dias por decisão da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS).
Teve as armas e a identificação funcional recolhidas.
Responde a um processo administrativo disciplinar especial na Corregedoria da SDS.
O caso ainda está em andamento e deve ganhar novos desdobramentos a partir da análise do Ministério Público, que decidirá se a conduta do delegado será enquadrada como lesão corporal gravíssima ou tentativa de homicídio.



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