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Ribeirão,12/09/2026

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O brega venceu: Priscila Senna faz história no Rock in Rio

Priscila Senna emocionou o público no Rock in Rio com um show que celebrou o brega pernambucano e a força cultural de Pernambuco


O brega venceu: Priscila Senna faz história no Rock in Rio Foto: Divulgação

Priscila Senna não subiu sozinha ao palco do Espaço Favela, no Rock in Rio, neste sábado (12). Quando as luzes se acenderam e a cantora pernambucana começou a cantar, com a plateia respondendo em coro, havia muito mais do que uma artista diante do público.

Havia Pernambuco.

Nas bandeiras levantadas pela plateia, nas referências ao estado e em cada refrão cantado por quem acompanhava o show, Priscila carregava consigo uma história inteira. Levava o Recife, as periferias, os paredões, as festas de bairro e as vozes de tantos artistas que ajudaram a construir o brega pernambucano.

Levava Reginaldo Rossi. Levava os nomes que vieram antes dela. Levava também os artistas que continuam fazendo o gênero pulsar em Pernambuco e os novos talentos que começam a conquistar espaços cada vez maiores.

O show foi uma celebração do brega e da própria trajetória de Priscila Senna. Com um repertório marcado por sucessos, sofrência, romantismo e forte conexão com o público, a cantora transformou o Espaço Favela em uma espécie de extensão de Pernambuco. Por alguns minutos, a Cidade do Rock também foi Recife.

E não há como ignorar o tamanho simbólico daquele momento.

Durante décadas, o brega foi tratado por setores da sociedade como música menor. O gênero foi associado à pobreza, à periferia e à falta de sofisticação. Foi alvo de preconceito justamente por nascer e crescer longe dos espaços tradicionais de consagração cultural.

Mas o brega nunca precisou da autorização das elites para existir.

Ele nasceu nas ruas, nos bairros populares, nos clubes pequenos, nas festas de subúrbio e nos aparelhos de som que atravessavam a madrugada. Sobreviveu ao desprezo, às tentativas de silenciamento e à ideia de que determinadas manifestações culturais não poderiam ocupar os grandes palcos.

Neste sábado, o brega ocupou um deles.

Priscila Senna mostrou que o gênero não precisa abandonar suas raízes para alcançar novos públicos. Pelo contrário: foi justamente por carregar sua identidade, sua história e sua origem que ela conseguiu transformar o show em um acontecimento tão bonito.

A apresentação no Rock in Rio não foi apenas uma conquista individual. Foi uma vitória coletiva. Uma vitória de quem passou anos ouvindo que sua música era exagerada, popular demais ou inadequada para determinados lugares.

O brega venceu.

Mas é importante dizer: esse não foi o fim da história. Também não foi o ponto máximo de uma trajetória que ainda tem muito a crescer.

O palco do Rock in Rio foi mais um passo. Um passo enorme, histórico e emocionante, mas ainda assim apenas um passo. O ápice do brega pernambucano ainda pode estar por vir, e virá pelas mãos de Priscila e de tantos outros artistas que continuam ampliando os limites do gênero.

Porque o brega não chegou ao Rock in Rio para pedir licença.

Chegou para lembrar que também é música brasileira. Que também é identidade. Que também é memória. Que também é cultura.

E, quando Priscila Senna deixou aquele palco, não deixou apenas um show bonito para trás. Deixou uma certeza: o brega pernambucano já atravessou as fronteiras do estado.

Agora, ninguém segura mais.




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