Impeachment de ministros do STF? Veja o que pensa Marília Arraes
Candidata ao Senado, Marília Arraes defendeu Lula, criticou o Banco Central e rejeitou impeachment de ministros do STF
Foto: Reprodução A candidata ao Senado por Pernambuco Marília Arraes (PDT) participou, nesta quarta-feira (26), da série de sabatinas promovida pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) com os candidatos à Casa Alta.
Durante a entrevista, a pedetista defendeu a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional e rejeitou a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Marília também criticou a autonomia do Banco Central e afirmou que pretende colocar a conclusão da ferrovia Transnordestina entre as prioridades de um eventual mandato.
Candidata fala sobre disputa ao Senado
Única mulher entre os candidatos que disputam as duas vagas de Pernambuco no Senado, Marília Arraes justificou a escolha de concorrer à Casa Alta em vez de tentar retornar à Câmara dos Deputados.
Segundo ela, a expectativa de que desistisse da candidatura estaria relacionada ao fato de ser mulher.
“Eu não sei por que esperavam que eu abrisse mão de ser candidata à senadora. Acredito que porque eu sou mulher”, afirmou.
A candidata também reagiu às avaliações de que poderia perder força durante a campanha.
“Muita gente dizendo: ‘Marília vai derreter, Marília vai desidratar’. Eu não sou sorvete, não sou chocolate para estar derretendo”, declarou.
Relação com João Campos e Humberto Costa
Questionada sobre os embates com João Campos (PSB) na eleição para a Prefeitura do Recife, em 2020, Marília afirmou que as divergências fazem parte do processo político.
Ela apontou 2022 como o início da reconstrução da relação, quando João Campos declarou apoio à sua candidatura ao Governo de Pernambuco no segundo turno.
Em 2024, Marília apoiou a reeleição de João no Recife. Atualmente, os dois integram o mesmo grupo político, com João como candidato ao Governo do Estado e Marília na disputa pelo Senado.
A pedetista também comentou as divergências que teve com Humberto Costa (PT), quando ainda fazia parte do Partido dos Trabalhadores.
“Houve divergências em relação à tática. Nós nunca tivemos divergências ideológicas”, afirmou.
Marília defendeu a reeleição de Humberto e disse que os dois devem pedir votos um para o outro durante a campanha.
Marília rejeita impeachment no STF
Durante a sabatina, a candidata foi questionada se identifica fundamento para a abertura de processo de impeachment contra algum ministro do Supremo Tribunal Federal.
Marília respondeu negativamente e afirmou que uma medida desse tipo poderia provocar instabilidade no país.
“Hoje, eu não vejo nenhuma razão para haver impeachment de nenhum ministro do STF, de maneira alguma”, declarou.
Para a candidata, parte das críticas direcionadas à Corte está relacionada a uma disputa política promovida por setores da extrema direita.
Mandato de ministros e Banco Central
Marília também se posicionou contra a criação de mandatos com prazo determinado para ministros do STF.
Atualmente, os integrantes da Corte permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, que ocorre aos 75 anos.
Na avaliação da candidata, a permanência prolongada permite a convivência entre ministros indicados por diferentes presidentes e reduz a vinculação do tribunal a um governo específico.
“Acho que mandato para ministro da Suprema Corte gera uma instabilidade jurídica e constitucional no Brasil”, afirmou.
A pedetista também criticou a autonomia do Banco Central, mas o texto-base não detalha as medidas que ela defende para o órgão.
Prioridade para a Transnordestina
Marília Arraes afirmou que pretende trabalhar pela conclusão da Transnordestina caso seja eleita para o Senado.
A ferrovia é considerada um projeto estratégico para a integração logística do Nordeste, com impacto previsto no transporte de cargas e no desenvolvimento econômico da região.
A candidata também declarou que considera a eleição deste ano semelhante a uma “nova constituinte”, devido à renovação de dois terços das cadeiras do Senado.
Segundo Marília, sua atuação seria voltada à construção de uma base capaz de garantir governabilidade ao presidente Lula.



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