Ex-prefeito de Ribeirão é solto um dia após prisão
Ex-prefeito de Ribeirão e ex-deputado estadual, Clovis Paiva foi solto pela Justiça um dia após ser preso durante operação que investiga mortes de turistas
Foto: Reprodução O ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão, Clovis Paiva, foi solto pela Justiça nesta sexta-feira (29), um dia após ser preso durante uma operação que investiga a morte de dois turistas na Praia do Futuro, em Fortaleza.
A soltura ocorreu após audiência de custódia. Clovis havia sido detido na quinta-feira (28), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo as informações da investigação, policiais encontraram uma arma adulterada no imóvel.
Após deixar a prisão, o ex-deputado publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que a situação foi resultado de um equívoco.
"Quem me conhece sabe o meu perfil e a minha honestidade como homem e como ser humano e que jamais eu me envolveria numa coisa desse tipo", disse no vídeo.
O que diz a defesa
Em nota compartilhada no perfil de Clovis Paiva, o advogado Brenno Oliveira Lins afirmou que o ex-prefeito não possui relação com os fatos investigados no Ceará.
Segundo o comunicado, ele “não possui qualquer envolvimento com a investigação em curso no estado do Ceará”.
A defesa também declarou que o ex-deputado vem colaborando com as autoridades desde o início das investigações e informou que “foram localizadas munições não usuais, em situação alheia e sem relação com o objeto da diligência”.
Na gravação divulgada após a audiência de custódia, Clovis afirmou ainda que seus advogados irão demonstrar que o caso se trata de um "grande engano" e agradeceu as manifestações de apoio recebidas.
Alvo de investigação
De acordo com as apurações, Clovis Paiva foi alvo de mandado de busca e apreensão por suposta ligação com pessoas investigadas pelos assassinatos dos dois turistas em Fortaleza.
As autoridades, no entanto, informaram que não há comprovação de envolvimento direto do ex-deputado no duplo homicídio.
Durante entrevista coletiva realizada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife, o delegado Ícaro Coelho afirmou que Clovis Paiva e o presidente da Câmara de Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém (PL), também são investigados por possíveis práticas ilegais relacionadas a jogos clandestinos e rinha de galo.
Segundo o delegado, não há comprovação de participação direta dos dois investigados nas mortes dos turistas.
Outros alvos da operação
Além de Clovis Paiva, a operação também cumpriu mandados contra Getúlio Belém.
Conforme a polícia, durante o cumprimento da ordem judicial, o vereador teria jogado o celular pela janela do apartamento. O aparelho foi recuperado pelos agentes.
Também houve busca e apreensão no gabinete do parlamentar, em Jaboatão dos Guararapes.
Por meio de nota publicada nas redes sociais, Getúlio Belém informou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O vereador afirmou ainda que não possui envolvimento com o caso e declarou estar "tranquilo, confiante na Justiça e exercendo normalmente suas atividades públicas, acreditando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos".
Outro alvo da operação foi Dinailton Tavares Pereira, preso em Guarulhos, em São Paulo. Conforme as investigações, ele seria o mandante do crime.
Relembre o caso
Os assassinatos aconteceram em 1º de abril de 2025, na Praia do Futuro, em Fortaleza.
As vítimas foram Renato Faria de Azeredo, de 34 anos, natural do Rio de Janeiro, e André Luís Guellen, conhecido como "Foguinho", de 43 anos, do Rio Grande do Sul.
Os dois estavam na capital cearense a passeio quando foram mortos a tiros dentro de uma caminhonete após deixarem uma barraca de praia.
Após o crime, a polícia apreendeu joias de ouro e dois mil guaranis no veículo das vítimas. Segundo as investigações, os turistas eram apontados como agenciadores de apostas e proprietários de criação de galos e galinhas para exposição, reprodução e rinhas.
No dia 23 de abril de 2025, o Ministério Público do Ceará denunciou quatro pernambucanos pelos assassinatos: Gabriel Carlos do Nascimento Silva, Júlio César do Nascimento, Ítalo Rafael Silva Santos e Pablo Lucas Simões Soares.
De acordo com as investigações, os quatro teriam planejado previamente o crime e viajado de Pernambuco ao Ceará com o objetivo de executar os homicídios.
Segundo a denúncia, Júlio César teria efetuado os disparos utilizando uma motocicleta comprada por Gabriel na véspera do crime.



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