Qual é o animal mais traficado em Pernambuco? CPRH revela
Saiba qual é o animal mais traficado em Pernambuco e entenda os impactos do crime ambiental sobre a fauna local
Foto: Reprodução O galo-de-campina é o animal mais traficado em Pernambuco. O alerta é da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que aponta a ave como a mais apreendida no estado em casos de crime ambiental.
Típico do Nordeste, o pássaro chama atenção pela aparência e pelo canto. Essas características ajudam a explicar por que ele se tornou alvo frequente do tráfico.
“Sem medo de errar, aqui em Pernambuco, a ave mais apreendida é o galo-de-campina. É o pássaro mais traficado do estado. A gente recebe inclusive repatriação de outros estados”, afirma o gerente do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), Irã Vasconcelos.

Por que o galo-de-campina é tão visado
A espécie vive em áreas de Caatinga e ambientes abertos. A coloração da cabeça, em vermelho, e o corpo em tons de cinza e branco tornam o animal facilmente identificável.
Outro fator é o canto, que atrai criadores e também pessoas envolvidas no tráfico.
Impactos já são percebidos no meio ambiente
A retirada de aves da natureza tem provocado mudanças na presença da espécie ao longo dos anos.
“É algo que dói no coração, porque a gente vê o número de bandos reduzindo ao longo dos anos. Antigamente se via com facilidade, hoje já não se vê mais como antes”, relata Irã.
Mesmo sem classificação oficial como espécie ameaçada de extinção, o impacto da captura ilegal é considerado crescente.
A retirada de indivíduos interfere em funções ecológicas, como:
- Dispersão de sementes
- Controle de insetos
Caso recente mostra escala do problema
Em novembro de 2025, uma operação da Polícia Federal flagrou um homem transportando cerca de 400 galos-de-campina.
Segundo a PRF, os animais foram comprados em Ouro Branco, em Alagoas, e seriam levados para Caruaru, no Agreste de Pernambuco.
Tráfico afeta reprodução da espécie
Além da retirada direta da natureza, o tráfico compromete o ciclo reprodutivo do galo-de-campina.
“Quando você tira um galo-de-campina da natureza, você não está tirando só um animal. Você está deixando de gerar dezenas de outros. E isso se multiplica ao longo do tempo”, explica Irã.
Tráfico de animais vai além das aves
Apesar de os pássaros representarem a maior parte das apreensões, o problema não se limita a eles.
Segundo o Cetras, o tráfico em Pernambuco envolve diferentes espécies:
- Onça-parda
- Jaguatirica
- Guaxinim
- Capivaras
- Primatas
“Aqui já recebemos de tudo: onça-parda, jaguatirica, guaxinim, capivaras, primatas… não é só passarinho. O tráfico vai muito além disso”, pontua o gerente.
Presença de espécies exóticas preocupa
Um dos casos recentes envolveu a apreensão de mais de 60 serpentes em uma residência em Caruaru. Entre elas, estavam espécies exóticas, como a cobra-do-milho, originária da América do Norte.
Esses animais representam risco ao equilíbrio ambiental. Quando são soltos ou escapam, podem competir com espécies nativas e provocar desequilíbrios.
“Esses animais exóticos não podem simplesmente voltar para a natureza. Eles são destinados a zoológicos ou mantenedores, onde não podem se reproduzir, justamente para evitar impacto na fauna nativa”, explica Irã.
Centros de triagem também recebem animais que exigem cuidados específicos, como felinos silvestres e primatas. Em muitos casos, não é possível devolver esses animais ao habitat natural.



COMENTÁRIOS