Após 3 a 0 na final, o que o Náutico precisa corrigir para a Série B
Derrota para o Sport na final do Pernambucano expõe pontos que o Náutico precisa corrigir antes do início da Série B do Campeonato Brasileiro
Foto: Reprodução A derrota por 3 a 0 para o Sport na final do Campeonato Pernambucano deixou sinais de alerta no Náutico. Mesmo com a expulsão do meia Dodô ainda no primeiro tempo, o desempenho alvirrubro foi considerado muito abaixo do esperado para uma decisão, especialmente atuando nos Aflitos.
O resultado trouxe frustração no clube, não apenas pelo placar, mas pela forma como o jogo se desenvolveu. A atuação distante do nível apresentado em outras partidas do Estadual expôs pontos que precisarão ser corrigidos antes do início da Série B do Campeonato Brasileiro, marcada para daqui a duas semanas.
Atuação abaixo do esperado na final
A decisão do Estadual terminou sendo definida ainda na etapa inicial. Em cerca de 40 minutos, o Sport construiu a vantagem e passou a controlar o jogo.
O Náutico não conseguiu repetir o nível competitivo que havia mostrado em outros momentos da competição, incluindo a primeira partida da final, disputada na Ilha do Retiro.
Mesmo com a expulsão de Dodô, o desempenho geral ficou aquém do esperado para uma decisão em casa.
Expulsão de Dodô e domínio do Sport
Durante a análise da partida, o comentarista Cabral Neto, da Globo, destacou que a expulsão do meia alvirrubro teve impacto direto no restante do confronto.
Segundo ele, o cenário facilitou o controle do Sport na partida e reduziu a capacidade de reação do Náutico.
"Se não fosse Muriel, o Sport poderia ter goleado o Náutico. Enquanto Thiago Couto, bem protegido o jogo inteiro, pouco precisou participar. (...) A expulsão de Dodô tirou qualquer capacidade de reação do Náutico e, logo depois, o Sport faz 2 a 0. E o Sport faz um segundo tempo muito inteligente, sabendo que tinha um homem a mais, se arriscou menos em campo, tentou trocar passes, atacou apenas na boa e, ainda assim, teve as melhores oportunidades do segundo tempo" - avaliou o comentarista.
Frustração, mas sem “terra arrasada”
Apesar do vice-campeonato, a avaliação interna no clube não é de ruptura completa no trabalho.
O presidente Bruno Becker e os técnicos Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos destacaram que o momento é de frustração, mas não de abandono do projeto que levou o Náutico até a final.
A campanha no Estadual deu ao time o status de favorito ao título em determinado momento da competição. O desempenho no primeiro jogo da final reforçou essa percepção, mas a partida decisiva apresentou uma diferença significativa de atuações.
Ajustes necessários para a Série B
A derrota também trouxe questionamentos sobre o modelo de jogo utilizado pela comissão técnica. Parte da torcida passou a discutir possíveis mudanças, embora o mesmo sistema tenha sido responsável por levar o clube até a decisão.
Na avaliação de Cabral Neto, o momento exige correções, mas não uma reformulação completa.
"O que aconteceu pode servir como aprendizado para Hélio, para Guilherme, para os atletas. Não pode servir como ruptura completa no que vinha funcionando muito bem. O Náutico tem um time bem montado, um modelo de jogo bem definido, tem jogadores com boa capacidade, vai precisar evidentemente de contratações. A Série B tende a ser muito difícil" - explicou Cabral Neto.
Olhar voltado para o Brasileiro
Com a Série B começando em duas semanas, o Náutico terá pouco tempo para ajustes.
O clube reconhece que a competição nacional será mais exigente e que o nível dos adversários tende a aumentar ao longo da temporada.
"Não dá para dizer que o Náutico chegou - nem o Náutico, nem o Sport - ao patamar que se deseja para a disputa completa da Série B, mas acho que os dois demonstraram potencial. O Sport hoje e o Náutico ao longo do estadual: os dois mostraram capacidade para disputar bem a Série B. Não dá para fazer cavalo de batalha por conta de um jogo apenas em que o Náutico foi muito mal de fato. Acho que o que fica, sobretudo, é o olhar geral daquilo que o Náutico está montando, está se estruturando para encarar a Série B" - avaliou Cabral Neto.
Agora, o desafio do Náutico será transformar a frustração da final em aprendizado e corrigir falhas antes do início da competição nacional.



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