Seja bem-vindo
Ribeirão,24/02/2026

  • A +
  • A -

Opinião: entre críticas e acertos, Raquel e João entregaram um grande Carnaval

Potenciais rivais nas eleições conseguiram passar no primeiro grande teste do ano


Opinião: entre críticas e acertos, Raquel e João entregaram um grande Carnaval Foto: Reprodução

O Carnaval de 2026 em Pernambuco era mais do que festa. Era teste. Teste político, teste de gestão, teste de capacidade de articulação e, sobretudo, teste de entrega.

Em ano eleitoral, com a expectativa voltada para dois potenciais candidatos ao Governo do Estado, havia curiosidade sobre como Raquel Lyra e João Campos atravessariam a maior festa popular do estado. No fim das contas, os dois chegam ao pós-Carnaval com muito mais pontos positivos do que negativos.

Do ponto de vista estadual, Raquel Lyra conseguiu entregar um Carnaval relativamente seguro dentro do que é realisticamente possível para um evento que reúne multidões gigantescas durante vários dias.

Carnaval nunca será um ambiente livre de ocorrências, e qualquer análise honesta precisa partir dessa premissa. Ainda assim, chamou atenção a forte presença policial em áreas estratégicas, especialmente no Recife Antigo, em Olinda, no Galo da Madrugada e nas pontes de acesso ao polo central da festa.

A sensação de segurança foi perceptível. Houve menos relatos de brigas nas áreas mais concentradas da folia, e a integração entre a Polícia Militar do Estado e a Guarda Municipal do Recife mostrou organização e planejamento. Essa cooperação institucional foi um dos grandes acertos do período.

Outro ponto relevante foi a estratégia de descentralização do Carnaval pernambucano. Ao marcar presença não apenas em Recife e Olinda, mas também em cidades do interior como Salgueiro e Bezerros, a governadora reforçou a ideia de um Carnaval verdadeiramente estadual. Essa movimentação amplia o alcance da festa, valoriza polos tradicionais e fortalece a percepção de que o Carnaval de Pernambuco não se resume ao eixo Recife-Olinda.

Raquel Lyra também acertou ao receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Galo da Madrugada. Independentemente de posicionamentos partidários, a postura institucional de acolher o chefe de Estado reforça o papel da governadora como representante de Pernambuco acima de disputas políticas. Em momentos simbólicos como o Carnaval, gestos institucionais importam.

No Recife, João Campos também enfrentou críticas. Houve questionamentos sobre a decoração da cidade, debates sobre o uso de recursos públicos e discussões sobre a presença de patrocínios de casas de apostas em eventos desse porte. São críticas legítimas e que fazem parte do debate democrático.

Mas, olhando o quadro geral, o Carnaval do Recife foi bem organizado. A redistribuição dos palcos e a ampliação dos espaços de shows trouxeram uma sensação curiosa: parecia haver menos gente, quando, na verdade, havia mais conforto e melhor circulação. Essa percepção não é pequena. Ela fala diretamente sobre planejamento urbano e experiência do público.

Um ponto que merece registro foi a ampliação da estrutura de banheiros, incluindo áreas exclusivas para mulheres. Em meio a multidões, garantir acesso adequado e seguro a esse serviço básico é também uma forma concreta de proteção. Mais do que discurso, a medida mostrou que políticas públicas voltadas às mulheres podem sair do papel e se transformar em ação prática durante grandes eventos.

O palco do Marco Zero chamou atenção nacionalmente e reforçou o protagonismo do Recife no circuito cultural brasileiro. Ao mesmo tempo, a descentralização dos polos garantiu que a festa chegasse a diferentes regiões da cidade, ampliando o acesso e distribuindo melhor o fluxo de foliões.

No balanço final, Raquel Lyra e João Campos conseguiram atravessar um Carnaval politicamente sensível sem cometer erros graves nem do ponto de vista administrativo, nem do ponto de vista político. Em um ano eleitoral, isso não é pouco.

Ainda assim, fica a sensação de que o resultado poderia ter sido ainda maior com uma integração mais profunda entre Governo do Estado e Prefeitura do Recife. Se a cooperação já foi visível na segurança, ela poderia avançar em outras áreas e elevar ainda mais o patamar da festa.

E é justamente nesse ponto que surge o principal contraste do Carnaval de 2026: Olinda.

A gestão de Mirella Almeida acabou se tornando o ponto fora da curva. Turistas relataram poças de lama, esgoto a céu aberto e excesso de lixo nas ladeiras — problemas que não combinam com a importância histórica e cultural da cidade. Também houve críticas à falta de orientação sobre transporte público, escassez de banheiros e falhas de planejamento prévio.

As prévias carnavalescas ocorreram praticamente sem decoração, o que chamou a atenção de moradores e visitantes. Pior do que as críticas foi a postura da prefeitura ao reagir a elas. Questionar quem aponta problemas não resolve os problemas.

Mirella Almeida precisa responder sobre pagamentos a agremiações e trabalhadores do Carnaval. Essas cobranças não são críticas à cidade de Olinda — patrimônio cultural e afetivo de Pernambuco —, mas sim à gestão municipal.

No fim, o Carnaval de 2026 deixa uma mensagem clara: Recife e Governo do Estado conseguiram entregar uma festa positiva, segura e bem organizada. E também deixa uma lição importante: Pernambuco cresce quando há planejamento, cooperação e capacidade de ouvir críticas.
















Se o Carnaval é um termômetro político, Raquel Lyra e João Campos saem dele fortalecidos. Mas a festa também mostrou que ainda há espaço, e necessidade, de evoluir juntos.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.