Após decisão do STF, Raquel e João comentam caso da “polícia paralela”
Raquel Lyra e João Campos comentam decisão do STF que abriu investigação da PF sobre suposto monitoramento ilegal
Foto: Divulgação A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e o prefeito do Recife, João Campos, se manifestaram sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o trancamento de uma investigação contra três secretárias municipais e ordenou que a Polícia Federal apure o suposto monitoramento ilegal de um secretário da prefeitura pela Polícia Civil.
As declarações foram publicadas em vídeos nas redes sociais na noite do sábado (31).
Declaração da governadora Raquel Lyra
Em seu pronunciamento, Raquel Lyra afirmou que não há orientação do governo estadual para perseguição política.
“Não existe por parte do governo de Pernambuco nenhuma orientação de perseguir quem quer que seja”.
Ela acrescentou que investigações continuam sendo permitidas quando há indícios suficientes.
“sob seu comando, ‘nada nem ninguém jamais deixará de ser investigado se houver indícios suficientes para isso’”.
A governadora também defendeu a atuação da Polícia Civil.
“A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição de estado com autonomia e responsabilidade funcional. Ela não pertence e não serve a interesses políticos e jamais será instrumento de ninguém. Não é hora de distorcer fatos nem transformar um tema técnico em palco eleitoreiro”.
Posicionamento do prefeito João Campos
João Campos comentou a parte da decisão do STF que determinou a abertura de inquérito para investigar o que chamou de “polícia paralela” no estado.
“A Polícia Federal vai investigar a polícia paralela montada pelo governo do estado de Pernambuco. O Supremo Tribunal Federal acabou de determinar uma investigação a ser conduzida pela Polícia Federal depois que a imprensa nacional divulgou o que estava acontecendo de forma clandestina e criminosa em Pernambuco”.
O prefeito classificou a situação como inaceitável.
“parte da Polícia Civil [está] sendo utilizada para fins eleitorais e políticos sem nenhum ato formal”.
Ele voltou a citar o monitoramento de servidores e veículos oficiais.
“Parte da Polícia Civil sendo utilizada para fins eleitorais e políticos sem nenhum ato formal, sem B.O, sem inquérito, carro oficial da prefeitura sendo rastreado, servidores sendo seguidos, tudo de forma clandestina e criminosa. Isso é inaceitável”.
Relembre o caso do monitoramento
Uma reportagem revelou que a Polícia Civil teria monitorado, de forma supostamente ilegal, o chefe de Articulação Política e Social da prefeitura, Gustavo Queiroz Monteiro.
Segundo a denúncia, exibida no domingo (25) pela TV Record e confirmada pelo g1, um carro funcional usado pelo secretário foi vigiado entre agosto e outubro de 2025 e chegou a receber um rastreador. O irmão dele, Eduardo Monteiro, também foi monitorado.
Na segunda-feira (26), o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou o monitoramento. Ele afirmou que a apuração ocorreu a partir de denúncia anônima sobre recebimento de propina envolvendo o veículo oficial.
De acordo com o secretário, a investigação preliminar não resultou na abertura de inquérito policial porque nenhum ato ilícito foi identificado.
Também foi confirmada a existência de um grupo de WhatsApp formado por agentes e delegados da Polícia Civil, chamado “Nova Missão”, onde eram compartilhadas informações sobre a rotina do secretário.
Decisão do STF sobre investigação das secretárias
Menos de uma semana após a denúncia do monitoramento, Gilmar Mendes determinou o trancamento de uma investigação contra três secretárias da Prefeitura do Recife.
A ação foi apresentada pelo PSB, partido do prefeito João Campos, e assinada por Luciana Albuquerque (Saúde), Maíra Fischer (Administração) e Adynara Gonçalves (Articulação e Fortalecimento dos Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos e Juventude).
Segundo os autos, a apuração teve início em outubro de 2024 para investigar possíveis irregularidades na adesão do Recife a atas de registro de preços. No entanto, a investigação teria extrapolado esse objetivo inicial.
Entre as medidas apontadas estão quebras de sigilo fiscal sem autorização judicial e requisições genéricas a secretarias municipais.
Na decisão publicada na sexta-feira (30), o ministro afirmou que houve desvio de finalidade, falta de definição clara do objeto e violação ao princípio da neutralidade estatal.
Ele determinou o encerramento da investigação conduzida pelo Gaeco do Ministério Público de Pernambuco, pediu que o órgão se abstenha de novos atos investigativos sem provas e comunicou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para avaliar o caso.
Além disso, ordenou que a Polícia Federal investigue o suposto monitoramento ilegal do secretário municipal pela Polícia Civil.



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