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Ribeirão,21/09/2026

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Candidata a deputada em PE surpreende ao transformar tratamento de câncer em combustível para campanha

Daniela dos Podeus, candidata à Alepe pelo Podemos, enfrenta um câncer de ovário e transforma o tratamento em bandeira de campanha


Candidata a deputada em PE surpreende ao transformar tratamento de câncer em combustível para campanha Foto: Reprodução

A corrida eleitoral para uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) costuma exigir dos candidatos uma rotina frenética de viagens, palanques e apertos de mão.

No entanto, para Daniela dos Podeus (Podemos), candidata a deputada estadual sob o número 20622, a caminhada carrega um peso e uma urgência muito mais profundos. Nos bastidores das urnas, a moradora de Camaragibe trava uma batalha diária e silenciosa pela própria vida.

O susto de um diagnóstico silencioso

Antes de ingressar na política, Daniela construiu uma carreira sólida e de muita dedicação no setor privado: foram 21 anos de trabalho na rede Pão de Açúcar. O ritmo intenso e a alta carga de responsabilidade mascararam os primeiros sinais do corpo. Tudo começou com uma coceira persistente no pescoço que, inicialmente, ela acreditou ser apenas um reflexo do estresse cotidiano.

Para tentar desacelerar e cuidar de si, solicitou seu desligamento da empresa. Contudo, cerca de quatro meses após deixar o emprego — quando o corpo finalmente "esfriou" do ritmo corporativo —, lesões na pele começaram a surgir de forma agressiva.

O diagnóstico trouxe um imenso fator surpresa e um choque emocional: após a biópsia das lesões, foi confirmado um câncer de ovário. O detalhe mais alarmante é que Daniela sempre foi rigorosa com a própria saúde e mantinha todos os seus exames preventivos de rotina rigorosamente em dia. O caso dela acende um alerta sobre como a doença pode se manifestar de forma silenciosa e inesperada.

A severidade clínica nos bastidores médicos

De acordo com seu laudo médico oficial, o diagnóstico específico é de Carcinoma de Células Claras de Ovário (estádio IIIA1). Na literatura médica, este é considerado um subtipo histologicamente agressivo, conhecido por sua alta capacidade de progressão e por ser frequentemente resistente aos esquemas tradicionais de quimioterapia.

Após passar por uma cirurgia complexa de citorredução em 2021 e enfrentar recidivas nos linfonodos em 2022, a rotina de Daniela passou a ser ditada pelo relógio da oncologia. Para conter o avanço da doença, ela realiza aplicações do anticorpo monoclonal Bevacizumabe a cada 21 dias — uma terapia de manutenção vital por tempo indeterminado para garantir sua sobrevida.


O equilíbrio entre as redes, o cuidado e as ruas

Diante da fragilidade física e imunológica imposta pelas aplicações frequentes da medicação, a estratégia para conquistar o eleitorado pernambucano precisou ser totalmente adaptada. Ao ser questionada sobre como concilia a campanha em sua base eleitoral e o tratamento, Daniela detalha o pragmatismo e a cautela adotados por sua equipe:


"Uso mais as redes sociais e saio, mas com todos os cuidados."


O ambiente digital tornou-se o principal palanque de Daniela, permitindo que ela dialogue com seus mais de 12 mil seguidores. As agendas presenciais ocorrem de forma estratégica e controlada, focando em Camaragibe e na Região Metropolitana, sempre respeitando os limites e as barreiras sanitárias que seu corpo exige.


A dor que virou plataforma e o direito de viver

Em vez de se afastar do debate público pelo diagnóstico, Daniela transformou sua rotina nos corredores dos hospitais no motor de sua plataforma eleitoral. Casada e mãe, ela canaliza o instinto de proteção familiar para a esfera pública. Suas principais bandeiras são o apoio integral ao paciente oncológico, o acesso facilitado a remédios de alto custo no SUS, a defesa de uma saúde digna e a garantia de direitos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).


"Traz muita emoção. Você olhar para a fragilidade do corpo e ao mesmo tempo a força interior de lutar por outras vidas me faz avançar na caminhada, por ter a ciência que outras mãe feito eu podem ter o direito a viver e criar seus filhos."


Ao expor sua própria vulnerabilidade, Daniela dos Podeus humaniza a disputa eleitoral. Ela finaliza deixando um recado direto e urgente para os eleitores e governantes que acompanham a sua trajetória:



















"Os direitos dos pacientes com câncer e doenças raras precisam sair do papel e serem respeitados."




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