Laqueadura: quem pode fazer, riscos e alternativas
Entenda como funciona a laqueadura, quem pode fazer, quais são as regras atuais e quais alternativas contraceptivas estão disponíveis
Foto: Reprodução A laqueadura tubária é um método contraceptivo definitivo procurado por mulheres que não desejam engravidar. O procedimento é realizado por meio de cirurgia e exige decisão consciente da paciente.
Além das dúvidas sobre a operação, muitas pessoas ainda desconhecem as regras previstas na legislação brasileira, como a idade mínima, o prazo de espera e a dispensa da autorização do cônjuge.
O que é a laqueadura
Também conhecida como ligadura de trompas, a laqueadura interrompe o caminho entre os ovários e o útero. Para isso, as tubas uterinas podem ser cortadas, amarradas, seladas ou bloqueadas.
Com a obstrução, o óvulo não consegue encontrar o espermatozoide, o que impede a fecundação.
A cirurgia não interrompe a produção de hormônios pelos ovários. Em geral, também não altera a libido nem provoca a interrupção do ciclo menstrual. Mudanças no fluxo podem ocorrer, por exemplo, após a suspensão de métodos contraceptivos hormonais.
Quem pode fazer a laqueadura
As regras foram alteradas pela Lei nº 14.443/2022, que modificou a legislação do planejamento familiar. A norma reduziu a idade mínima e retirou a exigência de autorização do cônjuge.
A esterilização voluntária pode ser realizada por pessoas com capacidade civil plena que atendam a uma das seguintes condições:
- Ter mais de 21 anos;
- Ter pelo menos dois filhos vivos, observados os demais requisitos legais;
- Apresentar situação de risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro bebê, comprovada por relatório médico.
A autorização do marido, esposa ou companheiro não é exigida. A decisão pertence à própria pessoa interessada.
Prazo de 60 dias continua obrigatório
A paciente precisa manifestar expressamente a vontade de realizar a cirurgia em um documento escrito e assinado.
Também é obrigatório cumprir um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o procedimento. Nesse período, a pessoa deve receber orientações sobre riscos, efeitos colaterais, dificuldade de reversão e métodos contraceptivos reversíveis.
A laqueadura pode ser realizada durante o parto, inclusive em parto normal ou cesariana, desde que o pedido tenha sido feito com pelo menos 60 dias de antecedência e existam condições médicas para a cirurgia.
Quais são os riscos
A laqueadura é considerada um procedimento seguro, mas envolve riscos como qualquer cirurgia. Entre as possíveis complicações estão:
- Infecções;
- Sangramentos;
- Reações à anestesia;
- Lesões acidentais em órgãos próximos;
- Dor e desconforto no período de recuperação;
- Arrependimento após a cirurgia.
A reversão da laqueadura é complexa, pode ter custo elevado e não garante uma nova gravidez. Por isso, a cirurgia deve ser tratada como um método definitivo.
Embora seja altamente eficaz, a laqueadura não elimina completamente a possibilidade de gravidez. Caso ocorra uma gestação após o procedimento, existe risco de gravidez ectópica, que acontece quando o embrião se desenvolve fora do útero.
A cirurgia também não protege contra infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis e HPV. O uso de preservativos continua sendo recomendado para reduzir esse risco.
Quais são as alternativas à laqueadura
Quem busca um método de alta eficácia, mas ainda não deseja passar por uma esterilização definitiva, pode avaliar outras opções com um profissional de saúde.
DIU de cobre
É um dispositivo não hormonal colocado dentro do útero. Pode permanecer por vários anos, tem alta eficácia e pode ser retirado quando a mulher desejar engravidar.
DIU hormonal
Libera pequenas doses de hormônio no útero e também apresenta alta eficácia. Em algumas mulheres, pode reduzir o fluxo menstrual e as cólicas.
Implante contraceptivo
É um pequeno bastão colocado sob a pele do braço. Libera hormônio e oferece proteção prolongada, podendo ser retirado antes do fim do período de duração.
Vasectomia
É o método cirúrgico definitivo para homens. O procedimento interrompe a passagem dos espermatozoides e costuma ser menos invasivo do que a laqueadura.
A vasectomia também depende da manifestação voluntária da pessoa interessada e deve seguir as regras do planejamento familiar.
Como solicitar o procedimento pelo SUS
A pessoa interessada deve procurar uma unidade básica de saúde ou outro serviço da rede pública e manifestar o desejo de realizar a esterilização.
A equipe de saúde deve explicar o funcionamento da cirurgia, os riscos, as alternativas contraceptivas e as condições previstas em lei.
A decisão precisa ser livre, informada e registrada por escrito. Nenhum profissional pode realizar a laqueadura sem o consentimento da paciente.



COMENTÁRIOS