Eleitores de esquerda articulam voto útil para tentar barrar Mendonça Filho no Senado
Eleitores de esquerda defendem voto útil em Marília Arraes e Humberto Costa para dificultar eleição de Mendonça Filho ao Senado
Foto: Reprodução A disputa por duas vagas no Senado Federal em Pernambuco ganhou um novo componente: a discussão sobre o chamado voto útil.
A estratégia é defendida por parte do eleitorado de esquerda, que avalia concentrar os votos nos candidatos mais bem posicionados para tentar impedir a eleição de Mendonça Filho (PL).
O voto útil ocorre quando o eleitor deixa de escolher seu candidato preferido para apoiar outro nome considerado mais competitivo ou capaz de evitar uma vitória vista como indesejada.
Como funciona a estratégia
De acordo com essa avaliação, os votos da esquerda deveriam ser direcionados principalmente para Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), que aparecem nas primeiras posições das pesquisas.
A expectativa é que uma votação mais concentrada nos dois nomes reduza as chances de Mendonça Filho conquistar uma das cadeiras em disputa.
Nas eleições deste ano, Pernambuco elegerá dois senadores. Por isso, cada eleitor poderá escolher dois candidatos para o Senado.
Esquerda tem mais candidatos competitivos
Além de Marília Arraes e Humberto Costa, a esquerda também conta com as candidaturas de Túlio Gadêlha (PSD) e Paulo Rubem Santiago (Rede).
Na avaliação de parte dos eleitores, a divisão dos votos entre quatro candidatos pode favorecer Mendonça Filho, considerado o principal nome competitivo da direita na disputa.
O ex-governador reúne o apoio de lideranças de diferentes grupos da direita pernambucana, como Gilson Machado, Anderson Ferreira, Clarissa Tércio e Miguel Coelho.
Marília Arraes defende concentração de votos
A preocupação com a divisão dos votos foi manifestada publicamente por Marília Arraes durante entrevista realizada em Caruaru, na sexta-feira (4).
Na ocasião, a candidata afirmou que os votos destinados a Túlio Gadêlha ou Paulo Rubem poderiam contribuir indiretamente para a eleição de Mendonça Filho.
A declaração também repercutiu nas redes sociais, onde internautas passaram a defender uma campanha pelo voto útil em Marília e Humberto.
Túlio Gadêlha discorda da estratégia
Outra parte do eleitorado de esquerda, no entanto, rejeita a ideia de concentrar os votos e defende que cada pessoa escolha o candidato em quem mais confia.
Essa parcela do eleitorado mantém o apoio a nomes como Túlio Gadêlha e Paulo Rubem, independentemente do desempenho nas pesquisas.
Em entrevista recente, Túlio afirmou que o voto útil pode não ser a melhor estratégia. Segundo ele, ainda existe uma parcela significativa de eleitores que não definiu o voto para o Senado.
O que diz a pesquisa Real Time Big Data
Levantamento do instituto Real Time Big Data, divulgado na quinta-feira (3), mostra Marília Arraes na liderança da disputa pelo Senado em Pernambuco.
Mendonça Filho e Humberto Costa aparecem tecnicamente empatados na segunda colocação, considerando a margem de erro da pesquisa.
Confira os percentuais:
- Marília Arraes (PDT): 29%;
- Mendonça Filho (PL): 20%;
- Humberto Costa (PT): 19%;
- Eduardo da Fonte (PP): 13%;
- Túlio Gadêlha (PSD): 12%;
- Carlos Sant’Anna (Novo): 1%;
- Paulo Rubem Santiago (Rede): 1%.
Mariano Macedo (PSTU), Samuel Timóteo (UP), Pastor Gilvan Costa (Democrata), Gorett Bitú (UP) e Mailson da Silva Neto (PCO) não pontuaram no levantamento.
Brancos e nulos somaram 3%, enquanto 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
A pesquisa entrevistou 1.600 eleitores de Pernambuco entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro, por meio de entrevistas presenciais.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo PE-09116/2026.



COMENTÁRIOS